No século 19, muitos achavam que nunca seria possível viajar mais rápido que o som. Até que em 1947 o piloto americano Chuck Yeager quebrou essa barreira a bordo do avião-foguete Bell XS-1. Essa história é às vezes usada para se argumentar que não existem limites à velocidade: com tecnologia adequada, qualquer tipo de barreira cairia. A velocidade da luz, no entanto, constitui um limite físico inexpugnável. Deslocando-se no vácuo a 1,08 bilhão de km/h, a luz, por princípio, não pode ser superada. Não importa a tecnologia.

A ideia de que existe uma barreira ao deslocamento dos corpos nasceu com a Teoria da Relatividade. Sua ideia central pode ser compreendida a partir de uma experiência que analisa pulsos de rádio (tanto o rádio quanto a luz são formas de ondas eletromagnéticas e se deslocam com a mesma velocidade). Imagine alguns desses pulsos sendo emitidos a partir da constelação Monoceros, a 16 mil anos-luz da Terra. Monoceros é um pulsar binário, formado por duas estrelas altamente compactas, ou estrelas de nêutrons, que giram uma em torno da outra. A gravidade que liga as duas é tão forte que elas percorrem suas órbitas a 720 mil km/h (300 mil km/s), ou 0,1% da velocidade da luz.



Com extraordinária regularidade, a cada 59 milésimos de segundo, uma das estrelas emite um sinal – como o tique-taque de um relógio – que pode ser monitorado da Terra. Ao girar em torno de seu companheiro, um pulsar às vezes se aproxima um pouco do nosso planeta e às vezes se afasta. Assim, podemos ficar tentados a pensar que a velocidade dos pulsos é maior durante a aproximação do que durante o afastamento. Mas, se fosse assim, os pulsos mais rápidos alcançariam os mais lentos, ao longo dos 16 mil anos-luz de viagem. E bastaria uma minúscula diferença de velocidade para misturar os sinais de maneira complicada.

Como nada disso acontece, essas observações confirmam o princípio relativístico de que a velocidade da luz é independente do movimento da fonte, ou do observador. Essa constatação produz uma consequência imediata para a possibilidade de uma viagem mais rápida que esse limite: obviamente, se a rapidez com que a luz passa não é afetada pelo movimento de uma pessoa, esta nunca poderá alcançar aquela.

Imagine o que aconteceria se um foguete partisse da Terra em perseguição a um raio luminoso. Quando o motor é ligado, a nave acelera e sua velocidade começa a aumentar. À primeira vista, nada impede que o motor continue a acelerar o foguete até a velocidade se tornar maior que a da luz. Mas há um impedimento. Um observador na Terra veria a nave acelerar, mas depois de certo tempo perceberia que a aceleração não corresponderia ao esforço do motor. À medida que se aproximasse da velocidade da luz, a nave precisaria gastar mais e mais combustível para conseguir um aumento cada vez menor de velocidade. O observador enxerga esse fato como um contínuo aumento da massa da nave, que cresce sem limite ao se aproximar da velocidade máxima do Universo. A massa extra torna o foguete mais resistente à aceleração, e nenhum acréscimo no impulso o faria atingir a velocidade da luz.

É possível acelerar partículas subatômicas a uma velocidade quase igual à da luz, mas as regras da física não mudam: continuam determinando que não é possível acelerar um objeto material além desse limite.

Mesmo assim, existe uma saída teórica para a ideia de ultrapassar a velocidade da luz. Para alguns físicos, pode haver partículas que simplesmente existem a uma velocidade superior ao limite de rapidez do Universo. O nome dessa partícula hipotética é táquion. E a ideia funciona porque a Teoria da Relatividade não faz restrição a objetos que sejam sempre mais velozes que a luz. Ou seja, os táquions também obedecem às regras da física, mas de um jeito diferente.

Se os táquions existem, devem ter propriedades estranhas. As partículas comuns, por exemplo, têm mais energia quando se deslocam mais velozmente; os táquions teriam menos energia. Dessa forma, se um deles perder energia, será acelerado. E, se tiver energia zero, sua velocidade será infinita, capaz de cruzar o Universo instantaneamente. Isso porque o conceito comum de massa não se aplicaria a essas partículas, que têm o que se chama de massa imaginária. Enquanto é preciso gastar energia, ou realizar trabalho, para acelerar massas comuns, deve-se realizar trabalho para desacelerar um táquion.

O simples fato de a natureza permitir a existência dos táquions, no entanto, não significa que eles existam. Mas vale imaginar onde eles poderiam ser encontrados. Uma possibilidade é o Big Bang. Afinal, foi durante a grande explosão que deu origem ao Universo que toda a matéria foi produzida. Talvez a tórrida fase primordial do cosmos tenha deixado resíduos taquiônicos que depois se espalharam pelo espaço. Os astrônomos sabem que o Universo contém muita matéria sob forma desconhecida; é intrigante a sugestão de que parte dela esteja em forma taquiônica.

Para testar essa possibilidade, é preciso saber como os táquions se comportam em um Universo em expansão. Um gás comum, por exemplo, fica mais frio quando se expande. Isso significa que suas moléculas, em agitação caótica quando quentes, aos poucos se aquietam. De forma semelhante, um gás de táquions também perderia energia, mas, como ele respeita as regras da física do avesso, ficaria ainda mais acelerado. Assim, conforme se aquece ao longo da expansão, quando chega à energia zero, a velocidade dos táquions se torna infinita. E as partículas deixam de existir. Esse desaparecimento súbito pode ser entendido com a ajuda do diagrama ao lado. No gráfico, o limite é a velocidade da luz, que aparece inclinada em 45 graus, correndo a distâncias iguais tanto do eixo do espaço quanto do eixo do tempo.

Partículas mais rápidas que a luz, como os táquions, têm ângulo mais acentuado que 45 graus. Tendem a ficar horizontais quando a velocidade se aproxima do infinito. Ou seja: é como se estivessem em vários lugares simultaneamente e o tempo não passasse para elas. Na prática, elas somem do diagrama. Deixam de existir no espaço-tempo. Caso tenha sido este o destino dos táquions após o Big Bang, a esperança de encontrá-las tende a zero.

Ou quase: em 1974 um grupo de pesquisadores da Universidade de Adelaide, na Austrália, registrou o trajeto de uma partícula em tempo tão curto que só poderia ter sido feito em velocidade superior à da luz. A partícula foi vista em raios cósmicos – criados na alta atmosfera pelo choque de núcleos atômicos vindos do espaço. Todas as tentativas de registro posteriores deram resultado negativo e qualquer físico em sã consciência continuou cético quanto à possibilidade de alguma coisa superar a velocidade da luz.

O centro das dificuldades é uma dedução da Teoria da Relatividade: de que um objeto capaz de superar essa velocidade também pode viajar para o passado. Nosso diagrama aqui ajuda a entender o motivo:


Vamos lá. Ao desenhar a trajetória do táquion do ponto de vista de um observador imóvel (o sujeito que aparece parado no desenho), a linha fica inclinada para cima, enquanto a outra, vista pelo observador em movimento (o bonequinho correndo), fica inclinada para baixo. O problema: o tempo corre para cima no diagrama.

Essa possibilidade cai como uma bomba sobre a ideia de causa e efeito. Se o táquion fosse uma bala de canhão disparada na direção de um alvo, o alvo explodiria antes de o canhão ser disparado. Também é possível interpretar essa situação dizendo que a explosão do alvo é a causa do disparo – e não seu efeito. De uma maneira ou de outra, eventos que são aceitáveis para o observador imóvel parecem bizarros aos olhos do que se move. Tais possibilidades inspiram paradoxos divertidos ou tormentos metafísicos, dependendo da inclinação pessoal de cada um.

Para muitos físicos, esses paradoxos temporais acabam com a possibilidade de existência dos táquions. Mesmo assim, uma conclusão parece certa: embora conduza a possibilidades difíceis de compreender, a existência dos táquions não viola as leis da natureza. Então talvez seja possível invocar a seu favor uma curiosa regra informal da ciência: se algo não é estritamente proibido, a natureza tende a produzi-lo de uma forma ou de outra. Não deve causar surpresa se um dia alguém surgir com evidências desse estranho viajante do espaço-tempo.

Não entre em pânico. Você não tem obrigação nenhuma de saber por que diabos seu Facebook está infestado de comentários sobre toalhas. Muito menos entender qual é o motivo daquele menino nerd da firma ter colocado “42” como legenda da foto. Você vai entender isso rapidinho – a não ser que o mundo acabe antes que você chegue ao fim desse texto.

Tanto a toalha quanto o 42 (e possivelmente até alguns golfinhos) são referências à série de ficção científica escrita por Douglas Adams, O Guia do Mochileiro das Galáxias. Na trama, Arthur Dent, um inglês sem nada de especial, tem sua casa demolida para dar lugar a uma construção. Culpa da burocracia. Para evitar isso, Dent precisaria ter ido, meses antes, à prefeitura pedir o cancelamento de uma obra nunca notificada. O lado bom é que ele não teve que dormir nenhum dia na rua. Logo depois, uma raça alienígena avisa que a Terra vai ser demolida, uma construção vai ser feita no lugar (e que se eles não quisessem isso, teriam que ter ido à um escritório, meses antes, em outra galáxia, pedindo para que a tal da obra fosse cancelada). E aí, em apenas algumas páginas de livro, o mundo acaba. Só que Arthur é salvo: ele descobre que um de seus melhores amigos, Ford Prefect, na verdade é um alienígena que escrevia para o livro mais importante do universo: O Guia do Mochileiro das Galáxias (uma espécie de guia de viagens com dicas intergaláticas). Antes de sair do planeta, a única coisa que Arthur consegue pegar é (advinha só?) uma toalha – que, segundo Ford, é uma das mais complexas ferramentas já inventadas desde o Big Bang.


Com seu humor nonsense e altamente crítico, Adams ganhou o mundo. O Guia começou como um programa de rádio na BBC, se espalhou pelo planeta em forma de livro (cinco deles, para ser mais exato), ficou um tempo na televisão e fez sua última aparição nos cinemas, em 2005, com um filme estrelado por Martin Freeman (o Bilbo Bolseiro de O Hobbit). Acabou virando um dos principais ícones pop do século 20, com os livros sendo traduzidos para mais de 30 idiomas.

Até que, em 11 de maio de 2001, Adams faleceu por conta de um problema cardíaco. E é aí que a história sobre o Dia da Toalha começa. Os fãs sentiram que precisavam homenageá-lo de alguma forma, mas não conseguiam se organizar para prestar a tal ode ao criador da série. Ninguém conseguia chegar a um consenso sobre a data. Várias sugestões começaram a pipocar em fóruns, a maioria envolvendo o número 42 (na mitologia de Adams, alienígenas perguntam a um supercomputador qual é a reposta para a Vida, o Universo e Tudo mais. A máquina diz que a resposta, com certeza, é “42”, mas que ele não sabe qual é a pergunta). O que fazer, então? Transformar o 42º dia do ano em “Dia do Douglas”? Comemorar na 42ª sexta-feira do ano? Ficou decidido, então, que a homenagem seria feita quando se completassem 42 dias da morte de Adams, em 22 de junho.

A coisa toda, no entanto, desandou. Os fãs perceberam que estavam demorando demais para agir, e acabaram inventando o Dia da Toalha para homenageá-lo na data mais próxima. Não foi quando ele morreu, nem em nada que envolvesse o tal do 42. Foi uma data qualquer, quando se completaram duas semanas da morte do autor. A data você já sabe, 25 de maio.

O dia aparentemente escolhido sem muito critério acabou ganhando força por uma coincidência. Foi em 25 de maio que Star Wars foi exibido pela primeira vez nos cinemas, em 1977. Em 2006, quando Guerra nas Estrelas completou 29 anos, os fãs notaram que as datas batiam, e a comunidade geek acabou adotando o dia e o transformando não só em uma coisa para os fãs do Guia. Nascia ali o Dia do Orgulho Nerd.

Mas na página oficial da comemoração do Dia da Toalha há uma boa justificativa para o dia 25. “Como o universo que Douglas Adams criou era repleto de absurdos e acasos, essa talvez tenha sido a escolha certa, no fim das contas”, escrevem os organizadores.
O jogo Fortnite está nos holofotes da imprensa especializada há alguns meses. A popularidade do título é tamanha que ele está interferindo, como já mostramos aqui, com o desempenho dos jogadores de beisebol, um dos esportes mais tradicionais dos Estados Unidos, e com a rotina de estudantes.

Pois bem. Se depender de um anúncio da Epic Games, a desenvolvedora do jogo, a onda de Fortnite está bem longe de acabar. A empresa revelou que o game ganhar uma versão para dispositivos Android nos próximos meses. Até então, somente aparelhos com o sistema operacional iOS conseguiam rodá-lo. Essa versão, que foi precedida por um período em que era necessário ter um convite para baixá-lo, já rendeu, segundo o serviço de monitoramento Sensor Tower, US$ 15 milhões em compras dentro do aplicativo.


De acordo com a Epic Games, a versão de Android terá os mesmos mapas das outras plataformas, incluindo o modo mais recente, que coloca duas equipes de 100 jogadores cada uma contra a outra. Para reforçar a ideia que o celular é uma das prioridades da desenvolvedora no momento, uma atualização que entrou no ar na semana passada permitiu que os jogadores customizassem os painéis de informações.

Outra novidade que deve chegar em breve para os dispositivos móveis é a opção de conversar com seus companheiros de equipe e poder, com apenas um toque na tela, abrir ou fechar seu microfone. Os problemas de desempenho nos celulares, reclamação constante dos jogadores, também devem receber atenção em atualizações futuras.

ABASTECIMENTO
Os caminhões-tanque que trazem combustível das distribuidoras aos postos podem ter até três compartimentos – um para gasolina, um segundo para álcool e um terceiro para diesel. A capacidade máxima é de 50 mil litros e a descarga, que rola em média a cada dois dias, dura 15 minutos

ATERRAMENTO
A descarga de combustível exige cuidados como o aterramento, que serve para descarregar a eletricidade acumulada na carroceria por causa do atrito do ar com a superfície metálica do caminhão, que pode dar choque. Para fazer a operação, um cabo de cobre (o famoso fio terra, hehe) é ligado a uma haste também de cobre no solo do posto


LINHAS DE ABASTECIMENTO
São canos que interligam as bombas de combustível e os tanques, desde o recebimento de produto do caminhão-tanque até o abastecimento dos carros. São feitos de materiais flexíveis, resistentes à corrosão e inertes – ou seja, não reagem com os combustíveis

TANQUE
O tanque subterrâneo é um reservatório de aço carbono com capacidade para até 30 mil litros. Os tanques podem ter até três compartimentos internos para armazenar até três produtos diferentes (gasolina, álcool e diesel) e subcompartimentos para as variedades (comum, aditivada e premium)

SENSORES

Alguns postos possuem equipamentos de monitoramento eletrônico que mostram o volume e a altura do combustível no tanque, a temperatura, o quanto foi vendido, permitem o controle de estoque etc. São os sensores instalados dentro do tanque que transmitem todas essas informações a um computador

TANQUE VAZIO
O bico da bomba “descobre” que o tanque está cheio graças a um pequeno tubo que corre dentro do cano de combustível. Ligado a um sistema de sucção, esse tubo “suga” ar do tanque de gasolina. A chave de seu funcionamento é um diafragma flexível que tem um buraquinho para o ar exterior

FILTRO DE DIESEL
Entre todos os combustíveis utilizados pelos veículos, o óleo diesel é o que tem o menor grau de pureza. Por isso, antes de ir para o motor dos caminhões, ele passa por filtros de papel prensado, que retêm do lado de fora as impurezas (partículas microscópicas) mais grosseiras

COMPRESSOR DE GÁS
Já viu aquela máquina grande nos postos que vendem gás natural veicular (GNV)? É o compressor de GNV – como diz o nome, ele serve para comprimir (juntar) as moléculas de gás que vêm da tubulação subterrânea para elas caberem nos cilindros dos carros

TANQUE CHEIO
Quando o tanque enche, o combustível bloqueia a entrada do tubo de sucção. É como sugar um canudinho com a ponta tampada – as paredes do canudo se contraem pela queda de pressão interna. No tubo de sucção, a queda de pressão faz o diafragma expandir, tocando o gatilho da bomba e “travando” o fluxo de combustível

LIMPEZA
O piso do posto, você sabe, é um nojo. Para impedir que o líquido que sai dos carros suje a cidade, os postos são rodeados por uma canaleta que leva os óleos e a água para uma caixa de separação. Como óleo e água têm densidades diferentes (eles não se misturam, o óleo fica por cima), fica fácil recolhê-los em caixas diferentes

BOMBA
A bomba “de verdade” não está na parte que a gente vê: ela fica no nível do solo, e utiliza um motorzinho para sugar a gasolina direto dos tanques subterrâneos. Na parte superior, um sensor medidor de vazão transmite a um microprocessador a quantidade de combustível e o valor total que o cliente deve pagar