Liana Friedenbach e Felipe Caffé


Hoje trago a vocês um texto que fala de um dos crimes mais marcante do início dos anos 2000 aqui no Brasil. Falo do assassinato de Liana Friedenbach e Felipe Caffé. Na época o crime foi o pivô de uma intensa discussão a respeito da maioridade penal e sobre a ação dos Direitos Humanos, que defenderam o menor acusado de liderar o ataque que resultou na morte de Felipe e Liana, que foi torturada e diversas vezes estuprada enquanto esteve cativa dos criminosos.

O crime

Os estudantes Liana Friedenbach, 16, e Felipe Silva Caffé, 19, foram assassinados na região de Embu-Guaçu (Grande São Paulo), em novembro de 2003. Eles foram rendidos pelos criminosos enquanto acampavam em um sítio abandonado.


O casal mentiu sobre a viagem para os pais (na época falava-se que os pais de Liana eram contra o namoro dela com Felipe). Liana havia dito que iria para Ilhabela (litoral de São Paulo), com um grupo de jovens da comunidade israelita. A família de Felipe disse que sabia que o rapaz iria acampar, mas acreditava que ele estaria com amigos.

Os namorados teriam passado a madrugada do dia 31 de outubro de 2003 sob o vão livre do Masp, na avenida Paulista (centro de São Paulo). Teriam ficado no local até as 5h do dia 1º, quando chegaram ao terminal rodoviário do Tietê (zona norte de São Paulo).

Liana e Felipe desembarcaram em Embu-Guaçu por volta das 9h. Na cidade, compraram macarrão instantâneo, água, biscoitos e leite em pó. De lá, pegaram um outro ônibus para Santa Rita, um lugarejo perto do sítio abandonado. Os estudantes ainda andaram 4,5 km a pé até o local em que acamparam, sob um telhado caindo aos pedaços.


No local eles acabaram sendo alvos dos criminosos: Roberto Aparecido Alves Cardoso, o Champinha, na época com 16 anos e Paulo César da Silva Marques, o Pernambuco. Champinha e Pernambuco seguiam para pescar na região quando viram o casal e tiveram a ideia de roubá-los.

Naquela mesma tarde, Pernambuco e Champinha abordaram os estudantes enquanto eles dormiam na barraca. A dupla, no entanto, ficou decepcionada ao não encontrar muito dinheiro. Assim, decidiram levar os namorados para a casa de Antonio Matias de Barros, 48, na mesma região.


Com a ausência de Barros, os quatro seguiram para a residência de Antônio Caetano Silva, 50, que também estava vazia. O local foi usado como cativeiro.

Durante o trajeto, Liana disse aos criminosos que sua família tinha dinheiro e sugeriu que a dupla pedisse resgate e, depois, a libertasse junto com o namorado. Segundo a polícia, naquele momento, Champinha decidiu matar Felipe e ficar somente com a garota.

De acordo com informações da polícia, na noite do dia 1º, Pernambuco violentou Liana sexualmente, enquanto Felipe permanecia em outro quarto. A garota estava em estado de choque e não reagiu.

Na manhã do dia 2, os namorados foram obrigados a caminhar no meio do mato. Pernambuco seguiu na frente com Felipe e matou o estudante com um tiro na nuca, de acordo com informações da promotoria. Liana, que estava com Champinha, ouviu o disparo, mas não teria visto a morte do rapaz. Depois, Champinha mentiu dizendo a ela que o rapaz havia sido libertado.

Pernambuco fugiu para São Paulo e Liana permaneceu com o adolescente na casa de Silva. A jovem foi novamente estuprada, agora por Champinha.

Neste mesmo dia, o pai de Liana, Ari Friedenbach, descobriu que a filha havia viajado com o namorado. Acreditando que os dois poderiam ter se perdido na mata, na manhã seguinte, o COE (Comando de Operações Especiais) iniciou as buscas pelo casal na região. Logo, a barraca, as roupas dos estudantes, a carteira e o celular de Liana foram localizados.


Enquanto isso, Silva chegava em casa junto com Aguinaldo Pires, 41. Champinha apresentou a jovem como sua namorada e ainda a ofereceu para os colegas abusarem dela. Segundo a polícia, Pires também teria violentado Liana.

Cativeiro de Liana
No fim da tarde do dia 3, Champinha ainda recebeu a visita do irmão, que foi procurá-lo para avisar que a mãe estava preocupada com o desaparecimento dele e também o alertou sobre a movimentação de policiais na região. Mais uma vez, o adolescente mentiu que Liana era sua namorada, mas informou que a garota estava indo embora e que a levaria até a rodoviária – na verdade, ele estava planejando matá-la.

Foi então que, na madrugada do dia 5, Champinha levou Liana até um matagal, onde tentou degolá-la. Depois, de acordo com a polícia, golpeou a cabeça da jovem com uma peixeira. Quando Liana caiu no chão, o adolescente ainda a apunhalou nas costas e no tórax e, depois, fugiu.

Local onde o corpo de Liana foi encontrado
Os corpos das vítimas só foram encontrados pela polícia no dia 10 de novembro. Champinha, Antônio Caetano, Antonio Matias, Aguinaldo Pires e Pernambuco foram presos quatro dias depois. Menor de idade, Champinha foi internado em uma unidade da Febem (atual Fundação Casa), em São Paulo.

Condenação dos Envolvidos

Em julho de 2006, três envolvidos no crime foram condenados por júri popular. Aguinaldo Pires foi sentenciado a 47 anos e três meses de reclusão por estupro. Antônio Caetano da Silva pegou 124 anos de prisão por vários estupros e Antonio Matias foi sentenciado a seis anos de reclusão e um ano, nove meses e 15 dias de detenção por crime de cárcere privado, favorecimento pessoal, ajuda à fuga dos outros acusados e ocultação da arma do crime.



Champinha admitiu ter participado do crime e já cumpriu a pena prevista em lei, mas até o ano de 2012 ele permanecia sob guarda da justiça. Em maio de 2007, ele chegou a fugir da instituição, pulando um muro de seis metros de altura. Foi recapturado onze horas depois. Atualmente, ele é mantido em um hospital psiquiátrico em São Paulo, a pedido do Ministério Público, com base em laudos médicos que constataram que ele sofre de problemas mentais e não pode voltar a viver em sociedade. Em 2008, o pai de Liana, Ari Friedenbach, criticou o tratamento psiquiátrico de Champinha. Segundo ele, o rapaz estaria em "uma unidade cinco estrelas" e sem o devido acompanhamento.

Champinha
Último a ser julgado, em novembro de 2007, Paulo César da Silva Marques, o Pernambuco, negou que tenha atirado em Felipe e que tenha estuprado Liana. Segundo a defesa do acusado, ele só teria confessado a autoria do tiro em Felipe e o estupro de Liana sob pressão da polícia. Em júri popular, ele foi condenado a 110 anos e 18 dias de prisão em regime fechado, por homicídio qualificado, sequestro, estupro e cárcere privado.

A polêmica da Hospedaria

No dia 16 de dezembro de 2007, uma emissora de TV filmou Champinha numa casa confortável, decorada em alto padrão, com sofá, TV de 29 polegadas e se alimentando com 5 refeições diárias recomendadas por nutricionistas. O vídeo gerou grande revolta e críticas ao governo. O então governador José Serra defendeu a situação de Champinha dizendo que ele estaria melhor ali do que nas ruas cometendo delitos. O secretário da Justiça de SP também repudiou a imprensa, dizendo que queriam linchar moralmente o Estado. Foi informado que Champinha custaria R$ 12.000,00 (doze mil reais) mensais ao Estado estando hospedado no local.

documentário da série "Investigação Criminal" exibida pelo canal A&E, que fala sobre o assassinato a sangre frio do jovem casal, além de revelar detalhes dos abusos sexuais a que a jovem Liana foi submetida antes de ser morta.

Liana, de 16 anos, e Felipe, de 19, resolveram passar o fim de semana em um sítio afastado, às escondidas e mentindo a suas famílias. Mas em um rodízio de perversão e agressão, os delinquentes Champinha e Pernambuco transformaram a aventura romântica do casal em um verdadeiro filme de terror. Abordados pelos dois, os jovens foram sequestrados. No dia seguinte, Felipe foi morto no meio da mata com um tiro na nuca. Liana, levada para dois cativeiros, foi estuprada por Champinha e outros três homens. Mas ao saber que policiais a estavam procurando, Champinha a levou também para a mata e a matou com um facão.

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Michel Belli

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