Dando continuidade a essa série especial de postagens em comemoração ao aniversário do Blog Noite Sinistra, que ocorrerá no dia 27 do mês de agosto, hoje falaremos de mais um cruel método de execução utilizado antigamente. O método de execução de hoje é a Águia de Sangue, um método altamente doloroso usado principalmente por tribos nórdicas, entre elas os Vikings.

Não é preciso procurar muito para encontrar descrições explícitas e superficiais sobre o que de fato era a águia sangrenta. Em sua versão mais elaborada, ilustrada por Sharon Turner emHistory of the Anglo-Saxons (1799) ou por J.M. Lappenberg em seu History of England Under the Anglo-Saxon Kings (1834), o ritual Viking descrito envolvia vários estágios distintos:

Primeiro a vítima era amarrada e imobilizada, com a face para baixo e as costas esticadas; em seguida, a forma de uma águia com as asas abertas era desenhada nas suas costas com carvão ou com a lâmina de uma faca. Depois disso, as costelas eram quebradas com um machado, uma por uma, os ossos e a carne puxados para trás a fim de criar a imagem do que parecia ser um par de asas brotando nas costas do sujeito. A vítima, segundo relatos, poderia muito bem sobreviver a essa tortura, experimentando uma agonia, nos termos de Turner, "ampliada pelo sal", - uma vez que sal grosso era esfregado dentro da enorme ferida. Depois disso, os pulmões expostos eram puxados para fora do corpo e esticados sobre as "asas", oferecendo às testemunhas uma ilusão de que elas estariam batendo, a medida que os pulmões se enchiam de ar e se esvaziavam, até finalmente a vítima expirar.


No século XIX, muitos historiadores aceitavam que a águia sangrenta além de ser profundamente desagradável, era muito real. De acordo com o eminente medievalista J.M. Wallace-Hadrill, é possível que não apenas Aella da Northumbria mas também Halfdán, o filho de Harald Finehair, Rei da Noruega, e o Rei irlandês Maelgualai de Munster; e em algumas interpretações até mesmo Edmund, o Mártir, possam ter sofrido esse mesmo destino.

Para colocar essas alegações em um contexto, é necessário salientar que todos esses nobres morreram no final do século IX e início do século X, e que pelo menos dois deles Aella e Edmund - foram mortos por Ivarr the Boneless (Ivar, sem Ossos), o mais temido Viking de sua época. Ivarr, era filho do igualmente notório Ragnarr Loðbrók, cujo nome pode ser traduzido como "Ragnar Calças Peludas". Ragnarr foi supostamente o viking que saqueou Paris em 845, e - ao menos de acordo com o documento medieval islandês Þáttr af Ragnars sonum (Tale of Ragnar’s Sons - A História dos Filhos de Ragnar) ele morreu após seu barco naufragar na costa do reino Anglo-Saxão da Northumbria. Capturado pelo monarca local, ele teria sido executado de forma incomum: lançado em uma cova repleta de víboras venenosas.

Smyth cita a Saga de Orkneyinga - um relato islandês do final do século XII escrito pelos Condes de Orkney, no qual outro famoso líder Viking, Earl Torf-Einar, entalha a Águia de Sangue nas costas de seu inimigo Halfdán Long-legs (Halfdán Pernas Longas) “usando sua espada nas costas e na coluna, destroçando suas costelas e virando-as em seu lombo, e arrancando para fora seus pulmões.” Smyth vai mais longe ao sugerir que ambos Halfdán e Aella foram sacrificados para os Deuses Nórdicos: “Um sacrifício pela vitória,” ele explica, “era um traço característico do Culto de Oðinn [Odin].”

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Michel Belli

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