30 Crimes que abalaram o Brasil (Parte 2)
Continuamos com a segunda parte dos 30 Crimes que abalaram o Brasil, se você chegou até aqui e não acompanhou a primeira parte desta matéria, Clique aqui para acessar os quinze primeiros casos chocantes de crimes que foram manchetes nos principais jornais de todo o país nos últimos 28 anos.



Gil Rugai

EX-SEMINARISTA É SUSPEITO DE MATAR PAI

Em março de 2004, o publicitário Luiz Carlos Rugai, e a mulher, Alessandra de Fátima Troitiño, foram assassinados a tiros em casa, na zona oeste de São Paulo. O ex-seminarista Gil Rugai foi preso dias depois, como principal suspeito da morte do pai e da madrasta. Ele havia sido expulso de casa cinco dias antes do crime, pouco depois de o pai descobrir um desfalque de R$ 100 mil em sua produtora. Na época, ele negou os crimes.

Gil Rugai ficou detido até 2006, quando recebeu o benefício de responder ao processo em liberdade. Em 2009, no entanto, o acusado foi novamente preso porque se mudou para a cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, sem avisar à Justiça. Ele foi liberado dias depois devido a um habeas-corpus no Supremo Tribunal Federal (STF).

Luiz Henrique Sanfelice

EMPRESÁRIO MATA MULHER CARBONIZADA NO RS

No dia 12 de junho de 2004, a jornalista Beatriz Helena de Oliveira Rodrigues foi encontrada carbonizada dentro do carro do marido, o empresário Luiz Henrique Sanfelice,em Novo Hamburgo (RS). O executivo, ex-diretor comercial de uma das maiores indústrias de calçados do País, foi preso e, em 2006, condenado a 19 anos pela morte da mulher. Para a polícia, os motivos eram passionais - ele diz que a jornalista o traía - e materiais - Beatriz havia feito um seguro de vida de R$ 350 mil.

Sanfelice foi para o regime semiaberto três meses após a condenação. Em abril de 2008, ele deixou de se apresentar no presídio onde passava as noites e tornou-se foragido da Justiça. Em 2010, o executivo foi preso na Espanha, país onde tem cidadania. No início de 2011, ele foi extraditado para o Brasil e levado à Penitenciária Modulada de Montenegro, onde ficou preso.

Dorothy Stang

MISSIONÁRIA É MORTA POR DISPUTA DE TERRAS

A missionária americana Dorothy Stang, 73 anos, foi morta com sete tiros em fevereiro de 2005, na cidade de Anapu, no sudeste do Pará. Dorothy era defensora dos direitos de pequenos produtores rurais da região paraense de Altamira, área de intenso conflito fundiário. O homicídio ganhou repercussão entre as entidades ligadas aos direitos humanos em todo o mundo.

Cinco pessoas foram condenadas pelo crime: os fazendeiros Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, e Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, que teriam pagado R$ 50 mil pela execução; Rayfran das Neves, o Fogoió, que confessou ter matado a missionária; Clodoaldo Batista, que seria comparsa de Rayfran; e Amair Feijoli da Cunha, o Tato, que confessou ter contratado os pistoleiros.

Facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC)

ATAQUES DE FACÇÃO CRIMINOSA MATAM MAIS DE 100

Em maio de 2006, a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) promoveu uma série de ataques durante três dias no Estado São Paulo. A ação foi motivada pela transferência de presos, entre eles o líder do grupo, e começou com motins em dezenas de penitenciárias. Bases da polícia e delegacias foram alvos de atentados.


Com boatos de ataques a universidades, escolas e comércio, aulas foram suspensas e lojistas fecharam as portas na capital paulista. Seis dias após o início dos atentados, a Secretaria da Segurança Pública divulgou um balanço de 152 mortos, entre policiais, cidadãos e suspeitos, em 239 ataques em todo o Estado.

Guilherme Portanova

REPÓRTER É SEQUESTRADO PARA DAR RECADO

Em agosto de 2006, o repórter da TV Globo Guilherme Portanova e o auxiliar técnico Alexandre Calado foram sequestrados em uma padaria próxima à sede da emissora na capital paulista. Os sequestradores, que se diziam da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), ameaçavam matar o jornalista caso um vídeo de um homem encapuzado criticando o isolamento de líderes do grupo presos não fosse veiculado.

O auxiliar foi libertado no mesmo dia, com a incumbência de entregar as imagens para a emissora. Com a exibição do material na TV Globo, Portanova foi libertado após 40 horas de sequestro. A polícia divulgou o retrato falado dos três suspeitos de participarem da ação, mas ninguém foi preso.

Ubiratan Guimarães

COMANDANTE DO MASSACRE NO CARANDIRU É MORTO

O coronel da reserva Ubiratan Guimarães, 63 anos, então deputado estadual, foi encontrado morto com um tiro no abdome em setembro de 2006, em seu apartamento, na capital paulista. O militar ficou conhecido como o homem que, em 1992, ordenou a invasão do Carandiru durante uma rebelião, episódio que terminou com 111 presos mortos. Ele chegou a ser condenado a 632 anos de prisão pelo massacre, mas foi absolvido pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo.

A única suspeita é a namorada de Ubiratan, a advogada Carla Cepollina. Ela foi a última pessoa a deixar o apartamento na noite do crime, quando o casal teria discutido por causa de um telefonema de uma mulher para o celular do coronel. O processo contra Cepollina chegou a ser arquivado, mas a Justiça de São Paulo determinou, em junho deste ano, que a advogada seja levada a júri popular. Ela nega a acusação.

Eliana Faria da Silva

FAMÍLIA É QUEIMADA EM ASSALTO EM SP

Em dezembro de 2006, após assaltar um estabelecimento comercial em Bragança Paulista, interior de São Paulo, dois homens colocaram a gerente do local, o marido dela, o filho e uma funcionária em um carro, amarrados, e atearam fogo ao veículo. Eliana Faria da Silva e seu marido, Leandro Donizete de Oliveira, morreram carbonizados no local. O filho do casal, Vinicius Faria de Oliveira, 5 anos, foi resgatado do veículo pela outra vítima, a operadora de caixa Luciana Michele Dorta. Mesmo com 90% do corpo queimado, a criança conseguiu mostrar à polícia o local onde os pais foram mortos. O menino morreu na manhã seguinte.

Luciana, com queimaduras em 80% do corpo, prestou depoimento e reconheceu um suspeito, preso após procurar atendimento médico por queimaduras. No entanto, ela não resistiu e morreu dias depois. O homem delatou um comparsa e os dois foram condenados pelo crime. Joabe Severino Ribeiro e Luis Fernando Pereira pegaram 60 anos de prisão em regime fechado.

João Hélio Fernandes

MENINO MORRE ARRASTADO EM CARRO ROUBADO

O menino João Hélio Fernandes, 6 anos, morreu ao ser arrastado por 7 km do lado de fora de um carro, no Rio de Janeiro, em 2007. Após o anúncio do assalto, a mãe e a irmã da criança desceram do carro, mas João Hélio ficou preso pelo cinto de segurança. Pessoas nas ruas tentaram avisar os ocupantes do veículo que o menino estava pendurado no carro, mas eles teriam ironizado dizendo que era um "boneco de Judas".

O veículo foi abandonado no subúrbio do Rio, com o menino já morto. Carlos Eduardo Toledo de Lima, Diego Nascimento da Silva, Carlos Roberto da Silva e Tiago de Abreu Mattos foram condenados pelo crime e cumprem penas de até 45 anos de prisão. Ezequiel Toledo de Lima, que na época era menor de idade, cumpriu três anos de medidas socioeducativas e foi solto em 2010, quando recebeu proteção do governo. Devido à forte reação da opinião pública, o benefício foi revogado e a Justiça decidiu que ele deixaria a unidade de internação apenas para ir à escola. Um ano depois, ele recebeu o benefício da liberdade assistida e passou a ser acompanhado por assistentes sociais e psicólogos.

Lucélia Rodrigues da Silva

EMPRESÁRIA TORTURA MENINA COM ALICATE E FERRO

Após denúncia anônima, a menina Lucélia Rodrigues da Silva, então com 12 anos, foi encontrada acorrentada em uma escada, amordaçada e com vários ferimentos pelo corpo, no apartamento da empresária Silvia Calabresi de Lima, em um setor nobre de Goiânia (GO), em março de 2008. Com a promessa de melhores condições de vida, ela criava a jovem havia dois anos, com autorização da mãe biológica.

Segundo a polícia, a empresária feria Lucélia com alicate nos dedos das mãos e dos pés, na língua e no corpo. A mulher também apertava os dedos da criança em portas e a queimava com ferro de passar roupa. Sílvia e a empregada, Vanice Novais, foram presas e condenadas a 14 e sete anos de prisão, respectivamente.

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá

MENINA É JOGADA DO 6º ANDAR POR PAI E MADRASTA

A menina Isabella Nardoni, 5 anos, morreu após cair da janela do prédio em que moravam seu pai, Alexandre Nardoni, e sua madrasta, Anna Carolina Jatobá, em São Paulo, em março de 2008. Segundo a perícia, a criança foi agredida dentro do automóvel da família e depois estrangulada no apartamento por sua madrasta. O pai, acreditando que ela estivesse morta, atirou-a pela janela para simular um ataque cometido por uma terceira pessoa.

O casal Nardoni negou as acusações e disse que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que entrou no apartamento enquanto os dois estavam na garagem do prédio. Dois anos depois da morte de Isabella, o casal foi condenado a mais de 20 anos de prisão cada um pelo assassinato.

Bruno Souza

GOLEIRO É PRESO POR SEQUESTRO E MORTE DE EX-AMANTE

O goleiro Bruno Souza, então atleta do Flamengo, foi preso no início de julho de 2010 suspeito de envolvimento no desaparecimento de Eliza Samudio, uma ex-amante que pedia na Justiça o reconhecimento de paternidade do filho que alegava ser do jogador. Em 2009, a paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida e que Bruno a havia agredido para que ela tomasse substâncias abortivas. A Justiça, porém, negou proteção a Eliza. A jovem de 25 anos sumiu em 4 de junho. Pouco depois, a polícia recebeu denúncias anônimas que levaram ao paradeiro do bebê, então com 4 meses, e às primeiras pistas de que Eliza teria sido levada para uma propriedade de Bruno, em Minas Gerais, e morta com crueldade.

Segundo o inquérito policial, que indiciou Bruno e mais oito pessoas por até seis crimes, Eliza foi levada à força do Rio de Janeiro para Minas Gerais, mantida em cativeiro, executada e esquartejada a mando de Bruno, num plano que teria sido traçado meses antes. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, é apontado como o homem que matou Eliza enforcada, cortou o corpo e jogou partes aos cães. No entanto, os restos mortais da jovem não foram encontrados. Além de Bruno e Bola, respondem na Justiça a atual mulher do atleta, seu melhor amigo, uma amante e um primo do jogador. Outro primo de Bruno, menor de idade, foi condenado em 9 de agosto pela Vara da Infância e Juventude de Contagem (MG) a cumprir medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado por participar do crime. Todos negam envolvimento na morte de Eliza.

Wellington Menezes de Oliveira

EX-ALUNO CAUSA MASSACRE EM ESCOLA NO RIO

Um tipo de crime que se via apenas em noticiários internacionais chocou o País no dia 7 de abril de 2011. Em uma manhã de quinta-feira, quando centenas de jovens assistiam aulas na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, o ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, invadiu a instituição, abriu fogo contra adolescentes e matou 12 estudantes entre 12 e 14 anos. A ação foi interrompida com a chegada de um policial que estava nas proximidades da escola e feriu o atirador, que se suicidou.

Apesar de Wellington ter deixado instruções sobre como deveria ser seu sepultamento, seu corpo ficou 15 dias no Instituto Médico Legal (IML) sem que algum familiar fosse ao local assinar a liberação. Ele, então, foi enterrado como indigente. O atirador de Realengo deixou cartas, fotos e vídeos com o registro do planejamento do atentado. Nos documentos, ele fala de religiões, demonstra fixação pelo atentado de 11 de setembro de 2001 e alega ter sofrido bullying na escola. Para a polícia, no entanto, ele tinha distúrbios mentais.

Militares do EB

MILITARES SÃO ACUSADOS DE ENTREGAR JOVENS PARA TRAFICANTES RIVAIS

Em junho de 2008, um grupo de 11 militares teria entregue Marcos Paulo da Silva, 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19 anos, e David Wilson Florêncio da Silva, 24 anos, que moravam no morro da Providência, a traficantes de uma facção rival, no morro da Mineira, no Rio de Janeiro. A motivação seria um desacato cometido pelas vítimas ao serem abordadas quando voltavam de um baile funk. O trio foi torturado e morto com 46 tiros. Segundo testemunhas, além de entregarem os homens dizendo ser "um presentinho da Provi(dência)", os soldados do Exército dançaram funk em "homenagem" à facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) após o crime.

Os 11 suspeitos foram presos e denunciados por homicídio triplamente qualificado. O tenente Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade e o sargento Leandro Maia Bueno aguardavam presos para ir a júri popular. Em agosto de 2011, porém, a justiça decidiu que eles podiam esperar o julgamento em liberdade. Na época do crime, os militares ocupavam o morro para participar de um projeto social destinado à reforma de casas populares. A Justiça Federal chegou a determinar a retirada dos militares, mas o governo recorreu e manteve as tropas nas ruas. Pouco depois, as obras foram paralisadas pela Justiça Eleitoral e o Exército deixou o morro.

Eloá Cristina Pimentel

CÁRCERE DE 100 HORAS ACABA EM MORTE EM SP

Em outubro de 2008, Eloá Cristina Pimentel, 15 anos, foi mantida refém por 101 horas pelo ex-namorado Lindemberg Alves, 22 anos, em Santo André, no Grande ABC Paulista. Foi o mais longo caso de cárcere privado no Estado de São Paulo. Inconformado com o fim do relacionamento, o motoboy invadiu o apartamento em que Eloá morava com a família e rendeu a adolescente e sua melhor amiga, Nayara Rodrigues da Silva.

Após quatro dias de negociações e trapalhadas - Nayara retornou ao cativeiro para negociar com Lindemberg mesmo após ter sido libertada -, a polícia invadiu o apartamento. Segundo os agentes, a ação aconteceu depois de um disparo ter sido ouvido no local. Eloá foi resgatada baleada na cabeça e Nayara, atingida no rosto. Eloá morreu no hospital, no dia seguinte ao desfecho. A amiga sobreviveu aos disparos feitos por Lindemberg no momento da invasão. Ele está preso foi julgado e sentenciado 39 anos e três meses de prisão.

Ademar Jesus da Silva

CONDENADO SOLTO MATA 7 JOVENS EM GO

Entre dezembro de 2009 e janeiro de 2010, sete jovens com idades entre 13 e 19 anos desapareceram em Luziânia (GO). O mistério terminou apenas em abril, quando o pedreiro Ademar Jesus da Silva foi preso acusado de abusar sexualmente e matar os rapazes. Ele, que estava em liberdade depois de cumprir parte de uma pena por atentado violento ao pudor, confessou os crimes e se disse arrependido.

Pouco mais de uma semana após a prisão, o pedreiro foi encontrado morto na cadeia. Segundo a polícia, ele improvisou uma corda com uma tira do tecido que revestia o colchão e se enforcou quando estava sozinho na cela.
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Michel Belli

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