Os 5 melhores casos de Ed e Lorraine Warren

Hoje vamos lembrar do casal de investigadores de fenômenos paranormais mais famoso do mundo. Ed, especialista em demonologia, e Lorraine, médium clarividente, escreveram diversos livros sobre demonologia e fundaram a New England Center for Psychic Research, que inicialmente tinha como objetivo simplesmente investigar assombrações.

Eles ainda abriram um museu (dentro da própria casa), o Warrens Occult Museum, com objetos encontrados nos lugares onde ocorreram os casos. Dentre 10.000 casos pesquisados pelos Warren, selecionamos os 5 melhores. Então, acenda todas as luzes e se prepare para noites mal dormidas!

1) Caso Harrisville: Família Perron
INSPIROU: Invocação do Mal (The Conjuring), 2013

Em 1970, Roger e Carolyn Perron compraram uma casa onde pretendiam criar seus cinco filhos. A casa ficava em um terreno muito bonito e já havia abrigado outras oito famílias anteriormente. Quem olhava de fora não percebia que o local já havia sido palco da dor e do terror: dois enforcamentos, um envenenamento, dois afogamentos e quatro casos de homens congelados até a morte. A família conta que as manifestações e aparecimentos de assombrações começaram desde a mudança deles para a casa, mas, até então, todos eram pacíficos e pareciam não se importar com a presença do casal e dos cinco filhos. “Todo mundo que sabíamos ter vivido na casa passou por isso [as manifestações]”, disse um membro da família Perron.


Acima a casa dos Perron nos anos 1970 e como parece atualmente

Mas nem todas as aparições eram amigáveis. Havia um espírito tão mau que os Perron até hoje não comentaram o que ele fez com a família. “Vamos apenas dizer que havia um espírito masculino muito ruim na casa – com cinco garotinhas”, disse Andrea Perron. Porém o pior deles era o fantasma de Bathsheba Sherman, uma “alma esquecida por Deus”.

Bathsheba era uma mulher casada que vivia numa fazenda vizinha à casa, no fim do século 19. De acordo com a história, ela teria sido acusada de bruxaria depois que um bebê morreu misteriosamente sob seus cuidados. Mesmo não havendo provas de seu envolvimento com bruxaria ou com o assassinato, os moradores acreditavam que ela teria matado o bebê para honrar Satanás. A lenda também conta que, antes de morrer, ela teria amaldiçoado suas terras e os moradores que viessem a viver no lugar. Foram contadas mais de 25 mortes sob circunstâncias misteriosas depois de seu falecimento.


A entidade teria começado a sentir-se atraída por Roger e tentado fazer de tudo para tirar Carolyn da casa, torturando-a de várias maneiras, até tentar outra maneira de conseguir o que queria: possuindo-a. Foi então que os Perron decidiram chamar o casal Warren. Para Ed, não restavam dúvidas: Carolyn estava possuída. “A noite em que pensei que veria minha mãe morrer foi a noite mais terrível de todas. Ela falou com uma voz que nunca tínhamos ouvido antes e uma força que não é deste mundo a jogou a seis metros de distância em outra sala”, disse Andrea sobre a noite do exorcismo que ocorreu.

Infelizmente, as coisas só pioraram. Os Warren não conseguiram resolver o que afligia a família Perron e a solução foi fugir em 1980 para outro estado.

2) Caso Annabelle
INSPIROU: Annabelle, 2014

Donna era uma estudante de enfermagem que dividia um apartamento com sua amiga Angie em 1970. Quando a garota ganhou da sua mãe de presente de aniversário uma boneca da marca Raggedy Ann, gostou tanto que decidiu deixá-la no quarto. Donna e Angie, no inicio, não deram tanta atenção à boneca, mas logo o brinquedo começou a aparecer em posições diferentes e até mesmo em cômodos diferentes. Porém o que deixou as garotas assustadas de fato foi o aparecimentos de mensagens escritas a lápis em pergaminhos. Elas não tinham aquele tipo de papel em casa, então de onde estavam vindo aquelas mensagens pedindo ajuda?

Certa vez, ao chegar em casa, Donna encontrou a boneca não apenas em outro cômodo, mas também com as mãos ensanguentadas. Assustada, ela decidiu chamar uma médium. Foi então que a garota descobriu que a boneca era possuída pelo espírito de uma antiga morada do local, uma menina de sete anos chamada Annabelle Higgins, que havia sido encontrada morta naquela propriedade. Annabelle tinha dito que havia se sentido confortável com Donna e Angie e queria ficar com elas para se sentir amada. Donna, por compaixão, deixou a menina ficar, mas não foi uma boa escolha.


A Annabelle do filme (esquerda) e a da vida real (direita), hoje guardada no Museu do Oculto, que pertence aos Warren

Lou, amigo das duas jovens, relatou que Annabelle tentou matá-lo sufocado certa vez quando ele dormiu no apartamento. Porém, a “brincadeira” não parou por aí. No dia seguinte, ele e Angie estavam olhando alguns mapas para a viagem que iriam fazer quando ouviram alguns ruídos que vinham do quarto de Donna. Lou decidiu ver o que era, preocupado com a possibilidade de alguém ter tentado entrar na casa, mas tudo que ele encontrou foi a boneca jogada em um canto do quarto. O jovem, movido pela sensação que havia alguém atrás dele, olhou para trás, mas nada encontrou. Momentos depois, foi tomado por uma forte dor em seu peito, sua camisa estava manchada de sangue e havia sete marcas (três na vertical e quatro na horizontal) na região. Levou dois dias para os cortes se curarem completamente.

Donna decidiu que a brincadeira estava na hora de acabar e decidiu entrar em contato com um padre conhecido por lidar com possessões. O padre imediatamente contatou os Warren, que se interessaram pelo caso. Depois de algumas sessões, eles descobriram que a boneca não era possuída, mas manipulada por uma entidade não-humana que usava essa tática para se aproximar das pessoas. O objetivo do espírito era, na verdade, possuir um corpo humano.


Lorraine Warren com a boneca real Annabelle nos anos 1970 e em tempos mais recentes

Os Warren acharam necessário que fosse recitado uma benção de exorcismo para limpar o apartamento. “A bênção episcopal da casa é demorada, um documento de sete páginas que é claramente de natureza positiva. Em vez de expulsar especificamente entidades malignas da habitação, a ênfase é voltada para encher a casa com poderes positivos e de Deus.”, disse Ed. A boneca foi levada pelo casal para o museu ocultista onde está até hoje.

3) Caso da família Smurl
INSPIROU: A Casa das Almas Perdidas (The Haunted), 1991

Para escapar de inundações e dos danos dos furacões da cidade de Agnes, o casal Jack e Janet Smurl e suas duas filhas, Dawn e Heather, mudaram-se para um duplex em West Pittston em 1972. Logo após se instalarem no local, Janet deu à luz os gêmeos Shannon e Carin. Durante os primeiros 18 meses vividos na casa, a família encontrava-se feliz com sua nova moradia, até que, em 1974, o clima começou a mudar.


Smurls em sua casa na época dos incidentes

Gavetas começaram abrir e fechar sozinhas, a TV de Jack explodiu, manchas estranhas apareceram no tapete, cheiros amargos e desagradáveis começaram a se manifestar, Janet foi puxada da cama após fazer amor com o marido e até mesmo o cachorro pastor alemão foi vítima de espancamentos e maus-tratos. Os Smurl logo contataram Ed e Lorraine e o casal descobriu que a família era perturbada por três espíritos menores e uma entidade demoníaca. A intervenção dos Warren parecia só piorar a situação (de novo!). Jack fora estuprado por um súcubo (demônio feminino) enquanto Janet fora abusada sexualmente por uma figura humanoide, ouvindo barulhos de porcos (sinal grave de infestação demoníaca).


A igreja recusava realizar um exorcismo e o casal recorreu ao Padre McKenna, que realizou dois rituais e não fez nada além de irritar o demônio. Jack, então foi à TV, participando de um programa local chamado “As pessoas estão falando”. Após várias recusas da igreja, a imprensa pressionou a diocese de Scranton a fornecer ajuda.

Foi realizado um terceiro exorcismo na casa e as coisas finalmente pareceram dar certo. Mas a paz durou apenas três meses. Jack encontrou um sinal em forma de tomada na parede, agarrou o terço e rezou, pensando em ser um caso isolado, porém não era. Logo a antiga rotina da casa voltara, dessa vez mais violenta. Os Smurl mudaram-se para outra cidade, então. A Igreja Católica realizou um quarto exorcismo em 1988, o que parece ter colocado um fim ao pesadelo.

4) Caso Amityville
INSPIROU: Horror em Amityville (The Amityville Horror), 1979

A família DeFeo – composta por pai, mãe e cinco filhos – se mudou para o número 112 da Ocean Avenue em 1965. No dia 13 de novembro de 1974, Ronald DeFeo Jr., o irmão mais velho, matou toda a família utilizando uma espingarda. Inicialmente, ele alegou que o crime havia sido cometido pela máfia, mas a polícia descobriu que ele havia sido o autor. O homem foi julgado e condenado pelo crime no mesmo ano e está preso até hoje.


A casa real de Amityville em 1979 (acima) e nos dias de hoje (abaixo)

Os Lutz (George, Kathy e seus três filhos) compraram a propriedade em 1975. A família afirmou que sabia que a casa havia sido palco de uma noite de horror, mas que não se importavam com o que tinha ocorrido. No dia em que se mudara, levaram o padre Ralph Pecoraro para abençoar o local. Ele alegou, em entrevistas posteriores, ter ouvido uma voz lhe dizer “get out” (“saia”) enquanto fazia seu ritual.

A estadia dos Lutz não durou muito. A família vivenciou áreas estranhamente geladas na casa e viu a porcelana do banheiro ficar preta. Um dos filhos, Daniel, teve uma das mãos esmagadas por uma janela. Já a filha, Missy, tinha uma amiga iamginária/paranormal chamada Jodie, que assumia formas como de anjo e de porco. Após 28 dias, a família fugiu e deixou todas as suas coisas para trás.

Os Warren não participaram do caso enquanto os Lutz estavam lá, mas chegaram a investigar a casa posteriormente. Em suas investigações, tiraram a famosa foto que mostraria o espírito de um garotinho espiando por uma porta (veja abaixo). Alguns apontam que seria um dos filhos pequenos dos DeFeo.


A suposta foto do fantasma tirada pelos Warren

Praticamente tudo que aconteceu no caso Amityville (tirando os assassinatos cometido por DeFeo) é alvo de especulação. Muita gente diz que tudo não passa de uma farsa. É fato que os filmes inspirados no caso e as entrevistas dadas pela família ajudaram a inflar a história. Talvez nós nunca saibamos o que realmente aconteceu ali…

5) Caso da família Snedeker
INSPIROU: Evocando Espíritos (The Haunting In Connecticut), 2009

A família Snedeker, composta por Allen e Carmen, quatro filhos e mais duas sobrinhas (que viriam se juntar à família depois) decidiu se mudar para uma nova casa em 1986. O lugar era conhecido como A Casa Hallanan, pois anteriormente era uma funerária que levava o último nome. Até hoje, há controvérsias sobre se a família sabia para o que a casa tinha servido antes de eles chegarem.

Logo, eles descobriram no porão algumas ferramentas deixadas para trás da funerária, como caixa de alças para caixões, uma corrente e polia, entre outras coisas. Foi aí que fenômenos estranhos começaram a acontecer com o filho mais velho da família. Ele começou a dizer que via fantasmas, o que levou os pais acreditarem ser efeito de um tratamento à base de cobalto que ele recebia por causa do câncer que tinha.

Mas eles estavam enganados. O garoto começou a agir de modo estranho, apresentando uma mudança radical em sua personalidade, chegando até a ser pego tentando invadir a casa do vizinho pois procurava uma arma para matar o padrasto. Fatos estranhos foram presenciados, como água virando sangue e odores pútridos. Uma das sobrinhas de Carmen relatou que uma mão invisível a acariciou uma vez que ela deitara-se na cama. Até a própria Carmen foi vítima de ataques físicos, principalmente sexuais.


A casa onde aconteceram as supostas assombrações

Os Warren foram contatados e moraram na casa durante nove semanas. Eles levaram junto seu sobrinho, John Zaffis, para ajudar no caso. Zaffis disse que, nesse trabalho, encontrou um demônio pela primeira vez. Foi numa ocasião em que sentiu um cheiro forte de carne podre e, ao se dirigir para a sala, viu o demônio (“a coisa mais feia que eu já vi”) descendo as escadas. A criatura disse a ele: “você sabe o que fizeram com nós? Você sabe?”. Nesse tempo em que ficaram na casa, os Warren chamaram um padre para realizar exorcismos, o que supostamente resolveu o problema.

De todos os casos aqui listados, este é o mais suspeito. Em primeiro lugar, a mídia estava louca por casos de assombração, após o sucesso midiático do caso de Amityville (pelo qual a família Lutz ganhou um bom dinheiro contando a história em livros e na TV) e do lançamento de O Exorcista. Arrumar novos casos era uma especialidade dos Warren – aonde eles iam, achavam demônios. E sabe uma das primeiras coisas que o casal fez ao investigar um caso? Chamar um escritor para escrever o livro sobre.

O escritor se chama Ray Garton e o livro é intitulado In A Dark Place: The Story of a True Haunting (Num Lugar Escuro: A História de uma Assombração Verdadeira). Em entrevistas, Garton disse que, ao entrevistar a família, as histórias não batiam, e que ele foi instruído por Ed Warren a fazer tudo bater e “inventar” o que faltava para conseguir isso. Garton, que já havia escrito ficção, obedeceu.

Recentemente, Garton deu entrevistas detonando os Warren. Segundo ele, o casal era não apenas uma “fraude” como também era “mau” pois se aproveitava de problemas reais que as famílias viviam – alcoolismo, abuso doméstico, doenças mentais – para vender suas histórias de demônios e envolver as pessoas na fantasia. Outro investigador paranormal, Joe Nickell, também investigou o caso e concluiu que toda a história foi criada para agradar a mídia.
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Michel Belli

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