Olá aterradores como esta a tua mente hoje? você provavelmente deve ter chegado nesta matéria pela (parte um) de Bomba Atômica De Hiroshima – O Que Escondem De Você, se não for o seu caso clique no link que será redirecionado para o início desta matéria que é altamente interessante.

Mas se você já leu a primeira parte e quer continuar, então 'Sigam-me os bons!'.

Bomba Atômica De Hiroshima – O Que Escondem De Você (parte dois)

EXPERIÊNCIAS MÉDICAS 

Da  mesma  forma  que  os  nazistas  fizeram  experimentos  médicos  bárbaros  e  terríveis  contra judeus em campos de concentração o Japão estava interessado em desenvolver armas biológicas e criou a Unidade 731 na China. Suas tarefas básicas era infectar prisioneiros chineses com as mais  diversas  doenças  para  estudar  sua  transição,  velocidade  de  propagação  e  efeitos,  a também o que o corpo humano suportava de altas e baixas temperaturas. Fazia parte do estudo a dissecação das vítimas que era feita não em cadáveres mais nas vítimas vivas. Cólera, febre tifoide,  disenteria e antrax foram lançadas  como testes  sobre cidades  chinesas e  as  epidemias duraram até 1948. Mais de 200.000 pessoas foram mortas. 

ANTES DA BOMBA 

Em abril de 1944 inicia-se o ataque às Ilhas Japonesas com a invasão de Iwo Jima. Esta batalha, demonstraria em definitivo o conceito japonês não só de lutar até a morte, mas de lançar-se a morte sem objetivo militar para morrer e não ser capturado, além do simples suicídio ritual de soldados que não entraram em combate e não foram mortos pelo inimigo. 

Em 38 dias de batalha por uma pequena ilha de cinzas vulcânicas, praticamente plana com uma montanha em uma de suas extremidades, os americanos desembarcaram 70.000  soldados dos quais 26.638  foram  baixas,  incluindo  7  mil  mortos (10%)  da  força  de  ataque.  Por seu  lado, a defesa  contava  com  21.000  soldados  japoneses,  dos  quais  apenas  1%,  216  homens,  foram capturados. 3.000 ficaram escondidos em cavernas e bunkers e foram aparecendo ao longo do tempo muito depois da batalha terminar e todos os outros morreram. A relação entre ataque e defesa foi de 3,3 soldados atacando para cada defensor. 

Depois  disso  foi  a  vez  da  Ilha  de  Okinawa,  a  maior  ilha  mais  ao  sul  do  Japão,  com  terreno diversificado,  florestas,  montanhas,  população  local  etc.  Apesar  desta  batalha  ser  mais importante para entender a lógica que levou ao emprego das armas nucleares, Ivo Jima é que é retratada pelo cinema. 

Se  os  americanos  acharam  que  os  38  dias  de  Ivo  foram  muito,  Okinawa  levou  82  dias, terminando no meio de junho de 1944 menos de dois meses antes da Bomba. Os americanos, desta  vez  lançaram  250.000  soldados  contra  ilha,  dos  quais  5%  morreram  (12.520)  e  outros 82.000 ficaram feridos). 

A defesa japonesa foi também um teste para o Império em como defender as ilhas principais, o passo lógico seguinte na guerra. Havia 77.000 soldados regulares na ilha  e 40.000 civis foram alistados  e  armados  para  a  defesa.  24  mil  deles  compuseram  uma  milícia  chamada  Boeitai, 15.000  trabalhadores  lutaram  sem  uniformes,  1.500  alunos  de  escolas,  menores  de  idade, compuseram  uma  unidade  de  combates  chamadas  de  “Ferro  e  Sangue”.  Sete  ataques  com aviões kamikaze foram lançados contra as tropas de invasão envolvendo 1.500 aeronaves. Sem contar com estes pilotos mortos, os homens em armas no solo chegaram a 117.000, dos quais somente  6%  (7.000)  foram  capturados.  Os  outros  110.000  foram  mortos  ou  se  mataram  em ataques sem efeito militar ou em rituais de suicídio. Adicionalmente, 150.000 civis morreram.

Okinawa  é  definidor  para  compreender  as  bombas  atômicas.  Os  americanos  lançaram  2,3 soldados no ataque para cada soldado na defesa. Porcentagem praticamente 50% menor que na batalha anterior. 

Os japoneses tinham 3 milhões de soldados para defender suas ilhas principais, mais o esquema de  milícias  de  adultos  e  adolescentes,  mais  mulheres  treinadas  para  atacar  os  invasores satânicos com lanças de bambu. Mantida a proporção de Okinawa, o que é uma estimativa baixa, haveria mais de 5 milhões de soldados e civis armados à espera das  tropas norte-americanas. Para  garantir  a  força  de  2,3  para  um,  os  americanos  deveriam  obrigatoriamente  desembarcar 11,5 milhões de soldados no Japão, força que não existia, que se existisse não poderia ser nem transportada  nem  abastecida.  Portanto,  pela  experiência  de  Okinawa,  mesmo  com  a  certeza confortável de vencer um inimigo que preferia desperdiçar suas tropas a obter ganhos reais, um ataque em tal escala era simplesmente impossível. 

Ainda assim as baixas ao nível de Okinawa previstas para 37% atingiriam o número assustador de 4.255.000 americanos,  dos quais, 1.100.000 seriam mortos.  Totalmente inviabilizador. Pelo lado  japonês  as  baixas  esperadas  seriam  de  4.700.000  soldados  mortos  outros  7.000.000  de civis mortos. 

Estes números não  são  exatos, mas  simplesmente  uma extrapolação estratégica  em  relação  a última batalha com uma perspectiva OTIMISTA. Numa abordagem pessimista os números seriam consideravelmente  maiores.  Conta  semelhante  foi  realizada  tanto  pelo  comando  americano quando pelo japonês, que sentiu-se MUITO CONFORTÁVEL com a perspectiva, que demonstrava claramente  que  os  americanos  não  teriam  nem  homens  nem  equipamentos  para  conquistar  o Japão e que este impacto de 12 milhões de vítimas japonesas nunca se realizaria, mas se fosse necessário  poderia  ser  absorvido  e  ainda  estava  muito  longe  dos  mais  de  22  milhões  de  civis chineses que os nipônicos mataram. 

A SUBMISSÃO PELO ATAQUE AÉREO

Tanto  alemães  quanto  aliados  tinham  como  estratégia  de  guerra  a  destruição  das  principais cidades uns dos outros imaginando que isso iria gerar um desejo nas populações civis de depor suas lideranças e terminar a guerra, rendendo-se ao inimigo. Era o pensamento vigente naquela época. Os alemães jamais construíram bombardeios capazes de  realizar tal missão e apelaram para  mísseis.  Primeiro  com  as  bombas  voadores  V1,  depois  com  as  V2.  Já  os  britânicos  e americanos  desenvolveram  vários  modelos  capazes  de  arrasar  cidades.  Esta  estratégia  jamais deu  certo  pois  o  atacado  sempre  usa  o  ataque  contra  si,  como  arma  de  propaganda  para demonstrar a barbárie e o desprezo pela vida por parte do inimigo, e a população atingida fica apenas com mais vontade de resistir e levar seu país à vitória. 


Com  o Japão não  foi  diferente. A captura  de  Ivo Jima,  permitiu  que  os americanos enviassem caças para escoltar seus bombardeiros contra o Japão. Cidade após cidade foi bombardeada com milhares  de  toneladas  de  bombas.  Os  americanos  utilizavam  napalm  e  incendiárias  de  fósforo
branco nestes ataques. As construções japonesas baseadas em  madeira e papel eram um alvo perfeito para isso. 

Tóquio, a capital japonesa e onde vivia o Imperador Deus, foi bombardeada de 17 de novembro de 1944 ao dia da rendição japonesa, 15 de agosto de 1945. O total estimado de mortos nesta campanha  foi  de  200.000  e  não  há  dados  disponíveis  sobre  o  total  de  feridos.  Um  milhão  de pessoas  perderam  suas  casas.  Na  noite  do  dia  9  para  10  de  março  de  1945,  334  aviões  de bombardeio B-29 dos quais apenas 279 conseguiram atacar a cidade, lançaram 1.655 toneladas de bombas, incluindo ‘cluster bombs’ de 230 kg que liberavam 38 bombas menores incendiárias de napalm. Foram mortas 100.000 pessoas neste único ataque, considerado o mais devastador da história. Outras 125.000 ficaram feridas. Neste momento Tóquio possuía cerca de 6 milhões de  habitantes,  portanto  as  baixas  foram  de  3,7%.  Mesmo  com  a  capital  devastada  e  alguns militares  de  alta  patente  questionando  a  falta  de  necessidade  destas  mortes  indicando  a rendição,  o  grupo  militar e  político que pretendia  a luta a  até  a  morte  e contava  com  aquelas projeções da ‘invasão impossível’ que você leu acima prevaleceu. 

Kyoto,  por  ser  uma  cidade  histórica,  foi  poupada.  Posteriormente  incluída  como  quarta  cidade para o ataque nuclear, foi descartada também. 

O ATAQUE NUCLEAR 

Igualmente,  os  americanos  tinham  a  certeza  de  que  não  poderiam  invadir  as  ilhas.  O  que  se vende para as pessoas como ‘desculpa’ para o ataque nuclear, é uma simplificação do conceito de  que  “lançaram  a  bomba  para  salvar  vidas  americanas”.  Neste  estudo,  onde  apresentamos uma  complicação  deste  conceito,  você  já  entendeu  que  as  coisas  eram  diferentes  do  que  as pessoas imaginam que são. 

O  programa  nuclear  norte-americano  levado  da  teoria  à  prática  por  vários  cientistas  judeus, baseados na ‘física degenerada’ de outro judeu, Albert Einstein, cujos estudos e trabalhos foram queimados na Alemanha Nazista (ainda bem), visava atacar a Alemanha e não o Japão. Mas a guerra na Europa acabou antes da primeira bomba estar operacional e ser testada. 

Quando o presidente Truman recebeu a informação, ainda durante a Conferência de Potsdam na Europa de que a bomba de teste, chamada Trinity (Trindade), foi muito mais bem sucedida que qualquer  um  pudesse  imaginar,  ele  ordenou  a  entrega  de  um  ultimato  ao  Japão  exigindo  a rendição.  Tal  documento  foi  considerado  pelos  japoneses  como  uma  atitude  arrogante  do ‘inimigo impossível’ e a guerra continuou. Truman mandou atacar. 

No início de agosto de 1945 havia apenas duas cidades classificadas como médias e grandes no Japão  que  ainda  não  tinham  sido  destruídas  por  bombardeios  convencionais:  Hiroshima  e Nagazaki. A imagem que é passada quando se fala apenas sobre Hiroshima é que teria sido uma escolha aleatória para levar o fogo do inferno aos civis japoneses. Mas só havia duas escolhas. A terceira cidade, definida com alvo era Kokura a de menor população entre as três, com 150.000 habitantes  onde  havia  2.800  prisioneiros  de  guerra  americanos,  ingleses  e  holandeses.  1.500 deles  chegaram  de  navio  na  manhã  do  dia  9  de  agosto,  portanto  o  comando  americano  nem sabia  disto.  Kokura  possuía  um  dos  arsenais  onde  eram  fabricados  os  fuzis  e  baionetas  no exército.  A  praticamente  impossível  se  definir  que qualquer  cidade pequena,  média  ou  grande japonesa deixava de possuir algum alvo militar legítimo. 

Ao contrário da propaganda soviética pós-guerra introjetada no inconsciente coletivo do mundo até hoje, Hiroshima não era uma cidade civil. No Japão ela era conhecida como Cidade Exército. É  exatamente  ao  contrário  do  que  a  propaganda  afirma.  Hiroshima  era  a  base  do  Segundo Exército  Geral  e  do  Exército  Regional  de  Chugoku.  O  quartel  general  dos  fuzileiros  navais japoneses  também  se  localizava  lá.  No  momento  do  ataque  nuclear  em  6  de  agosto  de  1945 havia cerca de 350.000 habitantes e militares na cidade. 80.000 foram mortos imediatamente e até o  final de 1945 outros 166.000 morreram  em  decorrência  de  ferimentos  e  radiação.  Ainda assim,  104.000  sobreviveram,  29%  da  população.  77%  dos  prédios  e  casas  da  cidade  foram destruídos. A cidade era praticamente plana. 


Foto:  O  prédio  da  escola  sobreviveu  em Hiroshima  e  foi  preservado  como  memorial. Ronaldo Gomlevsky que esteve lá em 2010.

Após  este  ataque  novo  ultimato  para rendição  foi  enviado  ao  Japão,  mas  suas lideranças políticas e militares consideraram o  ataque  apenas  como  um  novo  formato com  perdas  aceitáveis,  se  bem  que  ainda não  contabilizadas  e  entendidas corretamente. 

Naquele  momento  nem  quem  atacou  nem  quem  foi  alvo  tinha  qualquer  ideia  dos  efeitos  da radiação  que  afetaria  os  sobreviventes  e  mataria  o  dobro  de  pessoas  em  relação  as  que morreram pela explosão. Dentro da previsão da “invasão impossível”, o alto comando nipônico decidiu ignorar os americanos e manter a guerra. 


Truman  ordena  então  a  utilização  da segunda  bomba  atômica.  No  dia  8  de agosto  a  União  Soviética  declara  guerra ao Japão. O alvo seria Kokura, mas estava encoberto e as ordens obrigavam pontaria visual e não por radar.

Os Bs-29 do segundo ataque se dirigiram então para o alvo restante, Nagasaki, distante 100 km. Militarmente era uma cidade muito mais importante. Nagazaki possuía importantes estaleiros, a siderúrgica e fábricas de explosivos, armas e aviões de combate da Mitsubishi. Em 9 de agosto, dia  do  ataque  nuclear  havia  263.000  pessoas  na  cidade:  240.000  japoneses  civis,  9.000 soldados,  10.000  residentes  coreanos,  2.500  prisioneiros  escravos  coreanos,  600  chineses prisioneiros  escravos  e  400  prisioneiros  de  guerra  aliados.  O  total  de  mortos  atribuídos  a explosão, ferimentos e radiação até o final do ano é de 80.000, ou seja 33%. A cidade não era plana, possuindo colinas e elevações. 

Um terceiro ultimato foi enviado por Truman para Tóquio. E o alto comando japonês se dividiu. Os  civis  queriam  a  rendição  e  os  militares  queriam  a  luta  até  a  morte  de  todas.  Não  houve consenso e o primeiro ministro japonês decidiu ser ousado e foi levar a questão pela primeira vez ao Imperador Deus Hiroito. Sabendo possuir a palavra final sobre todas as questões no Japão, e ainda com milhões de soldados ativos e não derrotados no continente, o Imperador decidiu dar um basta na carnificina e ordenou a rendição, não imediatamente, pois Tóquio continuava sendo bombardeada diariamente desde o dia 10 de agosto e havia um temor de que a próxima bomba atômica  atingisse  a  já  depauperada  capital.  Não  sabiam  os  japoneses  que  sua  capital  não  foi atacada  desta  forma  por  que  não  existiam  outras  bombas  atômicas.  As  três  construídas  já haviam explodido. 

No dia 15 o Japão se rendeu, com uma condição perversa, a de que o Imperador não fosse preso e julgado pelos crimes de guerra que suas tropas cometeram. Quem pregava um império de mil anos  na  Europa  matou-se  com  um  tiro  na  cabeça  e  quem  pregava  no  Japão,  ao  seu  povo  o suicídio em seu nome não se matou, não foi julgado e foi mantido no poder, sucedido por seus descendentes até hoje.

Uma consideração final. Da mesma forma que Stalin firmou um pacto de  não  agressão  com  Hitler,  aliando  inicialmente  comunistas  e nazistas,  que  chegaram  a  ocupar  a  Polônia  simultaneamente,  pacto este só desfeito quando a Alemanha decidiu invadir a União Soviética, os  comunistas  também  possuíam  um  pacto  de  não-agressão  com  os fascistas-teocráticos japoneses, rompido apenas no dia 5 de agosto de 1945.


"O terror vive em sua mente" Aterrador

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Michel Belli

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