Terceira parte final das histórias do deus grego Zeus

Zeus olímpico 

Era perto do templo de Olímpia, em Élida, que os gregos se reuniam para celebrar os jogos olímpicos instituídos por Heracles, o maior dos heróis, em honra de Zeus, seu pai, o mais poderoso dos deuses. 

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Zeus - Deus Grego (História Parte 3 Final)

Uma antiga medalha (de Prúsias) nos apresenta Zeus segurando a coroa destinada aos vencedores. Zeus olímpico era considerado deus nacional helênico. O templo de Olímpia continha a famosa estátua de Fídias que passa por obra-prima da estatuária na antiguidade. Era de marfim e ouro. Apesar de sentada, a estátua se erguia até o teto; com a mão direita o deus sustentava uma vitória e com a esquerda um cetro enriquecido de metais preciosos e encimado por uma águia. O trono estava ornado de baixos-relevos. Essa estátua já não mais existe, mas julga-se ter imitações, numa medalha dos selêucidas. Um belíssimo camafeu do museu de Florença, conhecido com o nome de Zeus olímpico, apresenta o deus segurando o raio, e tendo aos pés uma águia. 

Entre os bustos de Zeus, o mais famoso é o conhecido pelo nome de Otrícoli. 

Zeus pan-helênico 

O culto de Zeus pan-helênico remonta a uma Fábula relativa à ilha de Egina. A ninfa Egina era filha do rio Asopo. 

Foi amada por Zeus, que a visitou sob a forma de chama. Seu pai, encolerizado com o rapto da filha, procurou-a por toda parte; chegando a Corinto, soube de Sísifo o nome do raptor e pôs-se a persegui-lo. 

Zeus atingiu-o com um raio, e transportou a ninfa para a ilha que, desde então, tem o seu nome. 

A união de ambos deu nascimento de Éaco que, antes de ser juiz no inferno, reinou na ilha de Egina. Mas não podendo Hera permitir que uma ilha tivesse o nome da rival, resolveu vingar-se despovoando aquela porção de terra. Nuvens sombrias cobriram o céu, reinou um calor sufocante, os lagos e as fontes contaminaram-se. O mal atacou a princípio os cães, as ovelhas, os bois, as aves e todos os animais. O agricultor consternado viu morrer diante dos seus olhos, no meio dos sulcos, os touros que trabalhavam. As ovelhas, despojadas da lã, magras e descarnadas, enchiam os campos de gritos lúgubres. O vigoroso corcel, desdenhando os combates e as vitórias, languescia. O javali esquecera a sua ferocidade natural; a corça já não tinha a habitual ligeireza; o urso não ousava atacar os rebanhos. Tudo morria; as florestas, os campos e os grandes caminhos estavam juncados de cadáveres que infeccionavam o ar com o seu mau cheiro; os próprios lobos não ousavam tocá-los, e eles apodreciam na terra espalhando por toda parte o contágio. 

Dos animais, espalhou-se o mal às aldeias, entre os moradores dos campos e daí penetrou nas cidades. Todos sentiram a princípio as entranhas arder com um fogo cujos reflexos, que apareciam no rosto, denotavam a força. Respiravam com dificuldade, e a língua seca e inchada obrigava-os a manter a boca aberta. 

Certos de que morreriam desde que fossem contagiados, abandonavam os remédios, e faziam tudo quanto a violência do mal os impelia a desejar. Todos corriam aos poços, às fontes, aos rios, para matar a sede que os devorava; mas só a matavam, morrendo, e o langor impedia os que a tinham saciado de pôr-se novamente de pé e afastar-se da água em que expiravam. Por onde quer que se relanceassem os olhos, percebiam-se montes de mortos; era inútil oferecer sacrifícios; os touros conduzidos aos altares para ser imolados caíam mortos antes de feridos. Não se viam lágrimas pela morte dos entes mais queridos; as almas das crianças e das mães, dos jovens e dos velhos desciam, sem ser choradas, às margens infernais. Não havia lugar para sepulturas, não havia lenha para as fogueiras. (Ovídio). 

Havia na ilha de Egina um velho carvalho consagrado a Zeus, a semente que o produzira vinha da floresta de Dodona. Éaco, debaixo de tal árvore, sagrada, invocou Zeus, e, enquanto rogava, contemplava uma multidão de formigas que subiam e desciam pela casca do tronco; vendo-lhe o número incalculável, chorava lembrando-se do seu reino despovoado. Quando terminou a invocação, o rei Éaco adormeceu à sombra do carvalho sagrado. 

No entanto, o deus ouvira-lhe o rogo: as formigas transformadas em homens se aproximaram dele e renderam-lhe as homenagens devidas à sua posição. Éaco deu graças ao rei dos deuses; depois, distribuiu os novos habitantes pela cidade e pelos campos. Para conservar a recordação da origem deles, chamou-os mírmidos. 

Mantiveram eles as mesmas inclinações que as formigas: laboriosos, ativos, ardentes no amontoamento de bens, empregavam o maior cuidado em conservar o que haviam adquirido. (Ovídio). 

Os descendentes dos mírmidos foram os soldados de Aquiles, pois Éaco é pai de Peleu, pai de Aquiles. Entretanto, os mírmidos de Aquiles não habitavam a ilha de Egina; mas tais confusões, tão freqüentes na idade heróica, podem originar-se de migrações e de colônias que guardavam as mesmas tradições, em regiões diferentes. 

Aliás, a lenda de Éaco apresenta variantes: teria sido em conseqüência das suas preces que uma espantosa fome seguida de peste cessou não somente na ilha de Egina, senão também na Grécia inteira. Foi depois de tal fato que ele fundou um templo e cerimonias às quais todos os gregos deviam assistir. Zeus recebeu nessa ocasião o apelido de pan-helênico (adorado por todos os gregos). 

Zeus pan-helênico possuía na ilha de Egina um templo conhecidíssimo, onde se celebravam festas em sua honra. Adriano ergueu-lhe também um templo em Atenas. 

 Zeus cretense

Zeus cretense 

A ilha de Creta passava na antiguidade por lugar de nascimento de Zeus, e uma multidão de tradições locais se prendia à sua primeira infância. Foi nas grutas do monte Dicto que Reia o ocultou, e foi ali que o protegeram os coribantes e o criaram as ninfas. Foi ali que ele sugou o leite da cabra Amaltéia e comeu o mel que lhe levavam as abelhas. E foi para as recompensar que Zeus deu às abelhas o privilégio de desafiar o vento e a tormenta, e lhes tingiu os delicados corpos de uma formosa cor de ouro. 

Além disso, os cretenses tinham tido por rei e legislador Minos, filho de Zeus e de Europa. 

O rapto de Europa por Zeus é uma das fábulas que os artistas da antiguidade, e notadamente os gravadores de pedras finas, mais freqüentemente representaram. 

Um poderoso rei de Tiro, Agenor, tinha uma filha, chamada Europa, cuja formosura era célebre em toda a terra. 

Zeus, que do alto do céu via todos os mortais, até os que habitam a Ásia, apaixonou-se pela jovem e valeu-se de um estratagema para atraí-la: abandona o cetro e toda a grandeza que o cerca para assumir o aspecto de um touro, e, mesclando-se a um rebanho que pastava à beira do mar, no reino de Agenor, caminha e muge. Não diferia dos demais companheiros senão pela brancura de neve; tinha o pescoço musculoso e a papada graciosa; os seus cornos, pequenos e limpos, possuíam o brilho das pérolas, e dir-se-ia que um hábil obreiro se dera o trabalho de os modelar. 

A testa não possuía nada de ameaçador, os olhos nada de feroz ; era doce e acariciante. A filha de Agenor admirava-lhe a beleza e a mansidão; no entanto, a princípio, não ousou aproximar-se-lhe; finalmente, animou-se e apresentou-lhe flores que o deus comeu andando de um lado a outro, saltando em torno da jovem e deitando-se, a seguir, sobre a areia. Europa, tranqüilizada, acaricia-o com a mão, enfeita-lhe os cornos de grinaldas de flores, e senta-se sobre ele, rindo. As companheiras dispunham-se a imitá-ta, mas o touro, subitamente, a leva para o mar, Europa, voltando-se para as amigas, chama-as e estende-lhe os braços. O touro precipita-se no mar, afasta-se com rapidez de um delfim e pisa com segurança as enormes vagas; todas as Nereidas abandonam as grutas, e, sentadas nas costas dos monstros marinhos, desfilam em ordem, O próprio Posídon, tão ardente nos mares, amansa as ondas e guia o irmão na viagem. Em volta dele se amontoam os Tritões, habitantes dos abismos, os quais, com as suas conchas recurvas, fazem ao longe ressoar o canto nupcial. 

Europa, sentada no divino touro, segura-se com uma das mãos a um dos majestosos cornos, e com a outra abaixa as pregas ondulantes da sua veste de púrpura, de sorte que a extremidade fica molhada pela onda. O seu amplo véu, inflado pelos ventos, cobre-lhe os ombros como vela de navio e ergue docemente a jovem virgem. 

Já estava distante das margens da pátria; as praias batidas pelas ondas, as altas montanhas não tardaram em sumir; no alto, ela só via a imensidão dos céus, embaixo apenas a imensidão dos mares; relanceando, então, um olhar em volta, profere as seguintes palavras: 

“Para onde me levas, ó divino touro? Quem és? Como podes fender as vagas com esses teus pés tão pesados e porque não tens medo dos mares? Os navios vogam leves sobre as águas, mas os touros temem expor-se à superfície líquida. Os delfins não andam na terra, nem os touros nas ondas; tu corres igualmente na terra e nas ondas .. . Ai de mim, infeliz que sou! Abandonei o palácio de meu pai, segui este touro, e por uma estranha navegação, erro sozinha sobre o mar. Mas, ó Posídon ! Tu que reinas sobre as águas, favorece-me; espero conhecer enfim o que me dirige a viagem, pois não é sem o auxílio de uma divindade que atravesso assim estes caminhos úmidos.” 

Disse, e o touro majestoso responde-lhe: 

“Ânimo, jovem virgem, não temas as ondas do mar. Sou o próprio Zeus, embora pareça aos teus olhos um touro. Posso tomar as formas que desejo. A ilha de Creta não tardará em acolher-te. Foi ali que passei a infância, e ali celebraremos o nosso himeneu. Terás filhos famosos que reinarão sobre os povos” Cala-se, e tudo se realiza como afirma. A ilha de Creta já aparece e Zeus readquire a forma primitiva.” (Mosco). 

Num quadro existente em Veneza, Paolo Veronese fixou os principais incidentes do rapto de Europa e, seguindo o seu hábito, revestiu as personagens de soberbos costumes fantasiosos e de tecidos brilhantes como se usavam em Veneza, na época em que ele viveu. Europa, no meio das companheiras, senta-se no touro cujos cornos estão ornados de grinaldas, e os Amores que volteiam nas árvores indicam o motivo da metamorfose. No segundo plano, vê-se Europa montada no animal, ainda rodeada das companheiras; no fundo o touro rapta a jovem levando-a para o mar. Rubens pintou também sobre o tema um quadro que se contempla no museu de Madri, e o holandês Berghen achou na lenda um pretexto para representar um soberbo touro e uma gorda lavradora em que os gregos teriam dificilmente reconhecido a esposa de um deus. Na escola francesa, Lemoyne fez uma graciosa composição sobre o rapto de Europa. 

Zeus árcade 

Seguindo as tradições dos árcades, Zeus nascera no monte Liceu, no país deles, e não na ilha de Creta, como exige a tradição mais conhecida. 

Portanto era sagrado aquele monte, e nele se erguia um templo de Zeus, velhíssimo e inspirador da maior veneração. 

Era, aliás, notável por vários títulos: fosse qual fosse o homem ou animal que nele entrasse, via-se uma coisa estranha, pois ele não mais produzia sombra, mesmo quando o corpo estivesse exposto aos raios do sol! (Pausânias). 

Fora o templo erguido por Licaonte, primeiro rei da Arcádia, na época em que cessaram os sacrifícios humanos; querendo Licaonte honrar Zeus de maneira bárbara, o deus apressou-se em puni-lo cruelmente. Como estivesse o rei dos deuses a percorrer a Arcádia, Licaonte acolheu-o em sua casa e ofereceu-lhe um festim. Julgando ser-lhe agradável, mandou degolar um dos reféns que os Molossos lhe tinham enviado; depois de fervida uma parte do corpo e assada outra, foi o prato levado ao deus. 

Mas um fogo vingador, criado por Zeus, reduziu a cinzas o palácio. Licaonte, espantado, foge; e quando se acha no meio do campo, e quer falar e queixar-se, só consegue bradar; fora de si de cólera e sempre ávido de sangue e de carnificina, volta o furor contra todos os animais que se lhe deparam. As vestes se lhe mudam em pelos, os braços adquirem a mesma forma que as pernas; numa palavra, ele se transforma em lobo, e com essa nova aparência, conserva ainda o ar feroz que possuía outrora. (Ovídio). 

Pausânias narrando essa maravilhosa história, procura dar-lhe uma data. “Quanto a Licaonte, diz, creio que reinava na Arcádia, na época em que Cécrops reinava em Atenas; mas Cécrops regulou o culto dos deuses e as cerimônias da religião com muito mais sabedoria. Foi o primeiro em chamar Zeus de deus supremo e proibiu se sacrificassem entes animados aos deuses; quis que o povo se contentasse em lhes oferecer dádivas do país. 

Pelo contrário, Licaonte imolou uma criança a Zeus e manchou as mãos no sangue humano; assim, diz-se que em pleno sacrifício foi transformado em lobo, e que não é inacreditável, pois, além de o fato passar por verídico entre os árcades, nada possui contra a verossimilhança. Com efeito, esses primeiros homens eram muitas vezes anfitriões e comensais dos deuses; era a recompensa da sua justiça e piedade, os bons eram honrados pela visita dos deuses e os maus conheciam imediatamente a cólera divina…” 

Seja como for, a Fábula de Licaonte assinala um marco curioso na história, a época em que os sacrifícios humanos, em vez de considerados honra prestada aos deuses, foram tidos por crime que atraía a ira. 

 Zeus árcade

Zeus árcade está caracterizado pela coroa de oliveiras silvestres. 

Zeus dodonense 

O mais antigo oráculo da Grécia era consagrado a Zeus e se encontrava em Dodona, no Épiro, onde o deus era especialmente honrado. 

As sacerdotisas de Dodona narraram o seguinte a Heródoto em torno da origem de tal oráculo: 

“Duas pombas negras, saídas de Tebas do Egito voaram uma para a Líbia, outra para Dodona; esta empoleirou-se num carvalho e, com voz humana, disse aos dodonenses ser preciso estabelecer naquele lugar um oráculo de Zeus; o povo compreendeu a divindade daquela mensagem e apressou-se em obedecer. As sacerdotisas acrescentam que a outra pomba ordenou aos líbios que fundassem o oráculo de Ammon; mais um oráculo de Zeus. As sacerdotisas de Dodona me narram tais coisas.” 

Segundo outra versão, teria sido Deucalião que, chegando a esse lugar após fugir ao dilúvio, houvera consultado o carvalho profético de Zeus, e dado ao país o nome de Dodona. A floresta sagrada de Dodona continha os carvalhos proféticos, e os oráculos se verificavam de acordo com o roçar das folhas. Parece, contudo, que também a madeira daquelas árvores era profética, pois os mastros do navio Argos, cortados na floresta de Dodona, prediziam o futuro aos navegantes. Os sacerdotes de Dodona entregavam-se a todas as austeridades da vida monástica e dormiam sobre a terra nua. 

Zeus dodonense está caracterizado pela coroa de carvalho.

Zeus capitolino

Provém este nome do templo que o rei dos deuses tinha no Capitólio. 

O Zeus dos romanos se origina da confusão entre o deus etrusco do raio, Tinia, e o Zeus dos gregos. Zeus capitolino está figurado num antigo monumento, empunhando o cetro e uma pátera, e tendo sobre os joelhos a coroa que os triunfadores ali iam depositar. 

Além do templo de Zeus, havia no Capitólio um templo dedicado a Hera e outro a Atena. As três divindades ligam-se freqüentemente na arte romana, e eram conhecidas sob o nome das três divindades do Capitólio. Assim é que estão representadas numa antiga medalha. 

Os romanos consagravam a Zeus os despojos opimos, isto é, os despojos que um general romano arrebatara ao general inimigo; e o deus tomava, então o nome de feretriano. Rômulo foi o primeiro que ergueu um templo a Zeus feretriano, depois de matar pessoalmente Acron, rei dos cenínios; o templo foi ampliado por Anco Márcio e, em seguida, restaurado durante o império de Augusto. 

Zeus Ammon 

Ammon é uma divindade egípcia que os gregos assimilaram a Zeus; e eles imaginaram uma explicação para os cornos de carneiro que, no Egito, constituem atributo essencial desse deus. Dioniso, perdido nos desertos da Líbia, e morrendo de sede, dirigiu-se a Zeus que acorreu em seu auxílio sob a forma de um carneiro e lhe apontou uma fonte. 

É por isso que Zeus aparece nos monumentos com cornos de carneiro; vemo-lo assim em várias medalhas dos reis ptolemaicos. Quando Alexandre visitou o oásis de Ammon, recebeu do grão-sacerdote o título de filho de Zeus Ammon. Devemos a isso grande número de pedras gravadas e belíssimas medalhas em que Alexandre e os seus sucessores, os reis da Síria e da Cirenaica, estão representados com cornos de carneiro, símbolo do seu domínio sobre a Líbia. 

Segundo Heródoto, a tradição que dá cornos a Zeus arenoso se prenderia a Heracles e não a Dioniso. 

“Os habitantes do nomo de Tebas, no Egito, abstêm-se de ovelhas, e sacrificam cabras; dizem que tal costume foi estabelecido da seguinte maneira : quis Heracles, por bem ou por mal, ver Zeus que se recusava a aparecer-lhe; finalmente, percebendo Zeus que Heracles insistia, teve a idéia de tirar a pele de um carneiro, de lhe cortar a cabeça, e de a segurar diante do rosto, após ter-se revestido do velocino. Nesse estado, apresentou-se a Heracles; por tal motivo, os egípcios esculpem a estátua de Zeus com rosto de carneiro. Os tebanos, portanto, não sacrificam carneiros, e em virtude dessa tradição, os consideram sagrados; uma única vez por ano, no dia da festa de Zeus, sacrificam um; esfolam-no, e com a sua pele revestem a estátua do deus, diante da qual colocam a de Heracles. Finda a cerimônia, todos os sacerdotes do templo infligem golpes a si próprios, em sinal de luto pela morte do carneiro; finalmente, inumano numa sala sagrada.” (Heródoto) . 

O oráculo de Zeus Ammon gozava na Grécia de enorme celebridade. O templo do deus, colocado num oásis, a nove dias de marcha de Alexandria, era servido por cem sacerdotes dentre os quais somente os mais idosos é que tinham a missão de transmitir os oráculos. 

O culto de Zeus somente desapareceu diante do cristianismo; mas a filosofia já abalara o prestígio do rei dos deuses e, zombando das suas múltiplas funções, mostra-nos Luciano a época em que o seu poder foi desprezado e os templos abandonados: 

“ó Zeus, protetor da amizade, deus dos anfitriões, dos amigos, do lar, dos raios, dos juramentos, das nuvens, do trovão, ou sob qualquer outro nome que te invoque o cérebro ardido dos poetas, sobretudo quando se vêem embaraçados com o metro (pois aí te dão toda espécie de nomes, a fim de sustentar a queda do sentido e preencher o vazio do ritmo), onde está o estrondo dos teus raios, o longo ribombar do trovão, a chama branca e temível dos relâmpagos? O homem prestes a cometer um perjúrio temeria mais o pavio de uma lâmpada da véspera que a chama do raio que domina o universo… Dormes como que entorpecido pela mandrágora, e dormes tão bem que não ouves os que perjuram, não vês mais os que cometem injustiças, e os teus ouvidos são duros como os dos velhos… Recebeste o prêmio do teu descaso: ninguém mais te oferece sacrifícios, ninguém te coroa as estátuas, a não ser às vezes, por mero acaso; e o que assim procede não julga estar cumprindo um dever rigoroso, mas simplesmente prestar um tributo a um velho costume… Não direi quantas vezes roubaram os ladrões os teus templos; chegaram até a pôr as mãos sobre ti em Olímpia, e tu, que lá no alto fazes tanto barulho, não te deste o trabalho de despertar os cães, nem de chamar os vizinhos os quais, acorrendo aos teus gritos, pudessem deter os ladrões que, de sacola cheia, procuravam fugir; pelo contrário, tu, o exterminador dos gigantes, tu, o vencedor dos Titãs, tu permaneceste sentado, permitindo que os bandidos te cortassem os cabelos de ouro; e isso, tendo na mão direita, como sempre tiveste, um raio de dez cúbitos. Quando deixarás, ó deus maravilhoso, de vigiar o mundo com tamanha negligência?…” (Luciano). 

Odsson Ferreira Referência Bibliográfica BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004 GENNEP. Arnold Van. Op. cit., VI, p. 74sqq. Fonte: www.templodeapolo.net

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Michel Belli

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