Cinquenta anos após sua morte, Che ainda é motivo de discussão

Foi um revolucionário que ajudou a instaurar um novo regime político – unipartidário e socialista – em Cuba, que dura até hoje. Para muitos, Che é um mártir que se opôs a ditadores e aos EUA e lutou por sociedades mais justas em países como Guatemala, Congo e Bolívia. Para outros, foi um guerrilheiro obcecado por violência que usou de métodos polêmicos – como perseguir e matar opositores – para atingir seus objetivos. De qualquer forma, é uma figura histórica importante e um ícone cultural em todo o mundo, chegando a ser venerado como santo em algumas partes da Bolívia. Seu nome e seu rosto viraram símbolos de rebeldia, sendo usados até hoje em camisetas, pôsteres, músicas e até games.


Nascido na classe média e médico graduado, Che largou tudo para lutar contra regimes opressores

1. DIÁRIOS DE MOTOCICLETA
Ernesto Guevara de la Serna nasceu em 1928 na Argentina, onde cresceu. Em 1951, deu um tempo na faculdade de medicina e montou numa moto Harley-Davidson para viajar pela América Latina por oito meses com o amigo Alberto Granaldo, também médico. Eles desceram a costa atlântica argentina, atravessaram os Andes até o Chile e depois foram para o norte

2. NASCE UM IDEALISTA
No Peru, a dupla conheceu o dr. Hugo Pesce, médico membro do Partido Comunista, que cuidava de uma colônia de leprosos. Che sonhava em ser médico para curar doenças que afetavam os pobres. Depois da viagem, decidiu que o melhor jeito de ajudar era combater os responsáveis pelas injustiças políticas que contribuíam para a proliferação da pobreza

3. PRIMEIROS CONFLITOS
Após concluir os estudos na Argentina, foi à Guatemala, onde o presidente havia sido deposto por um golpe arquitetado pela CIA. Já com o apelido de Che, se firmou como revolucionário e oposicionista dos EUA e chegou a participar de grupos de combate ao governo. Conheceu também sua primeira esposa, Hilda Gadea, e fugiu com ela para a Cidade do México

4. A PARCERIA COM FIDEL
No México, conheceu Fidel Castro e seu irmão Raúl e ingressou no Movimento 26 de Julho, que planejava tomar o poder em Cuba, então sob a ditadura de Fulgêncio Batista. Em 1956, 82 guerrilheiros navegaram do México até lá, mas foram atacados na costa – a maioria morreu. Che se feriu, mas sobreviveu e seguiu com o grupo para as montanhas de Sierra Maestra

5. HERÓI CUBANO
O grupo cresceu e iniciou a Revolução Cubana, realizando ataques entre 1956 e 1958. Em 1959, tomaram Santa Clara e Santiago de Cuba. Batista fugiu, permitindo a tomada de Havana sem confrontos. Che ocupou diversos cargos no governo e viajou o mundo como embaixador de Cuba. Ele também casou de novo e teve quatro filhos

6. CRISE DOS MÍSSEIS
Com a Crise dos Mísseis, em 1965, Che deixou os cargos burocráticos e voltou a organizar células revolucionárias em outros países. Algumas fontes apontam divergências entre Che e Fidel nessa época, mas uma das filhas de Guevara diz serem apenas boatos de origem norte-americana para desacreditar a figura de seu pai. Che ficou sumido por vários meses

7. DA ÁFRICA À AMÉRICA
Em 1965, foi revelado que Che estava no Congo, onde liderou guerrilheiros que tentaram derrubar o ditador Joseph Mobutu. Com o fracasso da empreitada, ele voltou para Cuba na clandestinidade e arquitetou o plano de criar um foco de guerrilha na Bolívia, onde entrou disfarçado em 1966. O país vivia a ditadura do general René Barrientos, apoiado pelos EUA

8. A EXECUÇÃO NA BOLÍVIA
Os EUA forneceram ao Exército boliviano armas e treinamento para ações de contraguerrilha. Um destacamento de 2 mil homens atacou o grupo de Che, que foi ferido por um tiro e capturado. No dia 9 de outubro de 1967, após interrogatório, Guevara, aos 39 anos, foi morto com uma rajada de fuzil pelo tenente Mario Terán

9. RESTOS MORTAIS
Após sua morte, as mãos de Che foram cortadas e enviadas pelo Exército boliviano à CIA para que sua identidade pudesse ser confirmada com a análise das impressões digitais. O local de seu corpo só foi descoberto 30 anos depois. Ele estava enterrado em uma vala no meio da selva boliviana, próxima do aeroporto de Vallagrande

Curiosidade: Segundo documentos, Che teria se envolvido em 144 mortes e teria sido responsável pela prisão irregular de 30 mil pessoas

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Karina Faris

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