Esse tomo misterioso, que acredita-se ter cerca de 600 anos, foi escrito numa língua misteriosa que ninguém conseguiu traduzir

É um livro ilustrado com 204 páginas e recheado de um conteúdo incompreensível. Apesar do nome, o autor ainda é desconhecido. “Voynich” é o sobrenome do livreiro Wilfrid Michael Voynich, que, em 1912, adquiriu o manuscrito no interior da Itália. Após sua morte, o item foi parar na Universidade Yale, EUA, onde é estudado até hoje. Pelos cálculos feitos com testes de carbono 14, acredita-se que o livro tenha sido escrito há cerca de 600 anos. No entanto, até hoje nenhuma palavra dele foi desvendada, já que os caracteres do texto não correspondem a nenhum padrão de língua natural. Apesar disso, estudiosos acreditam que o livro seja um compilado de saberes medicinais que, por poderem ser confundidos com bruxaria pela Santa Inquisição, tiveram que ser codificados. A alta qualidade dos pigmentos minerais e do pergaminho também reforça a tese de que o manuscrito poderia guardar um conhecimento precioso.

Antes de ser comprado por Voynich, especuladores acreditam que o livro tenha passado por diversos outros donos. Uma teoria dizia que o livro foi uma fraude do mago e astrólogo inglês Edward Kelley para enganar o rei Rodolfo II do Sacro Império Romano-Germânico, que sofria de depressão e era entusiasta das pesquisas medicinais. Outras correntes acreditavam que os desenhos teriam sido feitos por Leonardo da Vinci em sua infância. Com a datação do carbono 14, as duas hipóteses foram descartadas, já que sugeriam cenários em épocas diferentes daquela da origem do livro.

Em setembro de 2017, o historiador Nicholas Gibbs publicou um artigo dizendo ter desvendado o manuscrito: ele seria um guia de saúde feminina e as palavras estranhas seriam abreviações. No entanto, medievalistas apontaram erros e refutaram a “solução”, mantendo o mistério.

O que tem dentro
Mesmo com o texto codificado, os desenhos ajudam a dividir o livro em seções

Parte 1 – Botânica

A primeira parte do livro traz desenhos de 113 plantas diferentes – nenhuma correspondente a uma espécie real. Os detalhes, quase sempre fora de proporção, às vezes lembram vagamente partes da anatomia humana. O autor possivelmente descreve nesse bloco os usos dessas plantas e os locais onde poderiam ser encontradas

Parte 2 – Astronômica

Com 25 diagramas que parecem se referir a estrelas e signos, as páginas desse capítulo trazem desenhos do zodíaco representados com muitos detalhes. Na Idade Média, o tratamento com ervas envolvia alguma compreensão astrológica, por isso pesquisadores desconfiam que os capítulos de botânica e astronomia possam estar inter-relacionados de alguma forma

Parte 3 – Biológica

É considerada a parte mais misteriosa do livro. Aqui o autor desenha exclusivamente figuras femininas, quase sempre imersas até os joelhos em estranhos vasos interligados contendo um fluido escuro ou água limpa. Enquanto uma vertente de pesquisadores acredita que se trate de desenhos sobre alquimia, outra imagina que o capítulo traga receitas para banhos de cura

Parte 4 – Farmacológica

No último capítulo ilustrado, o livro traz imagens de ampolas e frascos com formas semelhantes às dos recipientes das farmácias antigas. Nessa seção há ainda desenhos de plantas e raízes, possivelmente ervas medicinais. Outras ilustrações parecem apoiar a ideia de que se trata de um capítulo dedicado à farmacologia, com receitas de medicamentos

Parte 5 – Índice

A última seção do Manuscrito Voynich tem início na página 103 e prossegue até o fim sem que haja mais nenhuma imagem, exceto estrelinhas ou pequenas flores no final de alguns parágrafos. Essas marcações fazem crer que se trata de algum tipo de índice que remeta os leitores aos demais capítulos do manuscrito

De onde veio?

Um desenho do livro traz uma representação realista de uma cidade com suas muralhas decoradas com torres em forma de cauda de andorinha. Isso levou a teorias sobre o local de origem do item. Apenas no norte da Itália poderiam ter sido encontradas torres com esse tipo de decoração dentro da data estipulada pelas medições de carbono 14

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Karina Faris

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