A língua brasileira de sinais, ou Libras, é amplamente usada para a alfabetização de pessoas com problemas de surdez, que a utilizam para se comunicar.

A língua brasileira de sinais, ou Libras, é amplamente usada para a alfabetização de pessoas com problemas de surdez, que a utilizam para se comunicar. Ela deriva da versão francesa da linguagem gestual, que, por sua vez, tem origem em meados dos anos 1700. Por isso, ela é muito parecida com a usada na Europa e nos EUA, sendo facilmente entendida por portadores de necessidades em vários cantos do mundo.


Entretanto, se você nunca precisou se comunicar em Libras, talvez ache essa língua muito complexa e diferente. Mas você já parou para pensar na quantidade de gestos manuais que você usa em sua própria forma de conversar?

Muitas vezes, você acaba olhando duas pessoas conversando de longe e não as escuta, mas consegue entender o teor da discussão observando os gestos. Será que todo mundo é assim? Quem utiliza mais as mãos tem um jeito de pensar diferente dos demais?


Quem usa gestos pensa de maneira diferente?
A resposta é sim. Vários psicólogos, linguistas e cientistas cognitivos estudam a relação entre a conversa falada e a gesticulada. Esses pesquisadores entendem que a articulação gestual “prepara” o terreno para o que vamos falar, além de contribuir para explicar conceitos espaciais. Muitas pessoas, inclusive, têm dificuldade para formular frases coerentes e utilizam do artifício manual para contar uma história.

O consenso atual, entretanto, é de que as pessoas que possuem um léxico maior também são aquelas que gesticulam mais. Assim, a forma de pensar de quem utiliza as mãos para a comunicação está diretamente ligada à sua capacidade de se comunicar verbalmente. Os gestos também substituem palavras.


Linguagem universal, pero no mucho
Alguns gestos, entretanto, possuem uma linguagem quase universal. Por exemplo: como você faz para se comunicar com alguém distante de você? Grita? A maioria prefere tentar a mímica ou movimentos conhecidos, como os polegares para cima ou uma saudação de “oi”.

O psicólogo Art Markman explica que a maioria dos gestos que usamos é bem comunicativa por conta da convenção social. Como você diz para um vendedor qual camisa você escolheu? Simplesmente apontando para ela.

Algumas pessoas também ditam o ritmo de suas falas ou explicações com movimentos pontuais. Um bom exemplo disso são os professores, que precisam impor uma coerência de raciocínio em suas explicações e muitas vezes recorrem, até mesmo de maneira inconsciente, à linguagem gestual atrelada à explicação verbal.


Cuidado com o seu gesto
Outra grande utilidade para os gestos é relembrar algo que você esqueceu como se fala. Algumas vezes, a palavra está na ponta da língua, mas um “branco” faz com que você não se lembre dela. Qual é a solução? Tentar gesticular até seu interlocutor entender o que você quer falar. Isso é muito utilizado em lugares que adotam uma língua desconhecida pelo locutor ou durante o processo de aprendizado de outro idioma.

Entretanto, é bom tomar cuidado com o significado dos gestos, que podem mudar de país para país. O sinal de positivo, com o polegar para cima, é interpretado como ofensa em alguns países do Oriente Médio, da África e na Rússia, por exemplo.


Uma questão de gênero?
Outro estudo interessante é que a gesticulação às vezes é mais importante para a pessoa que está passando uma informação do que para aquela que a está recebendo. Você já se pegou gesticulando enquanto fala ao telefone, por exemplo? A pessoa do outro lado da linha não está vendo seus movimentos, mas eles te ajudam a formular o raciocínio para formar suas frases.

Outros estudos tentam entender a relação entre o gênero masculino e o feminino na utilização gestual. Aparentemente, as mulheres movimentam mais as mãos na hora de se comunicar com outras pessoas, mas a diferença vista é muito pequena e precisa de mais estudos para ter uma conclusão sobre o porquê de existir.


Você gesticula bastante para conversar, caro leitor? Qual gesto não sai de suas mãos? Possui algum vício de linguagem gestual? Compartilhe conosco!

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Karina Faris

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