Será que a pergunta mais polêmica depois de "biscoito ou bolacha" tem resposta? Veja o que a ciência tem a dizer

Desde que me conheço por gente, banho é aquela coisa que a gente toma de manhã, assim que acorda. Sem exceções. Uma das minhas lembranças mais antigas é o barulho do meu pai desligando o chuveiro enquanto minha mãe abria a porta do quarto, umas seis e pouco da manhã. Minha vez. “Seu cabelo é rebelde, sem água não dá para pentear”, ela dizia.


Por isso, fiquei chocado quando telefonei pela primeira vez para minha namorada, umas oito da noite, e sua mãe deu a notícia fatídica: ela está tomando banho. Como, diga-se de passagem, faz todos os dias antes de dormir. Desde que aprendeu a abrir a torneira.

Três anos e meio após o episódio, discutir o horário do banho ainda é um ritual. Ela não cansa de esfregar na minha cara que eu levo para o travesseiro toda a imundice da rua – “poluição impregnada nos poros”, em um tom dramático. Eu retruco lembrando que ela sai na rua, todo santo dia, com a cara amassada, cheirando a lençol, carregando ácaros por aí.

Nunca chegamos a uma conclusão. Então liguei para Silmara Cestari, professora aposentada do departamento de dermatologia da Universidade Federal de São Paulo, para saber quem está certo. Tomei um balde de água fria – e nem foi de manhã, o horário em que prefiro me molhar: “Não faz diferença. Para o bem-estar talvez, mas para a pele não.”

Queria tanto uma resposta que apelei – que humilhação – para o argumento da minha cônjuge: “tem gente que diz que não gosta de levar a sujeira da rua para a cama. Faz sentido?”

Para Cestari, o argumento só se aplica à pele do rosto, que fica exposta. Higienizar a testa, o nariz e as bochechas com produtos adequados no fim do dia definitivamente é uma boa ideia (além, é óbvio, das mãos – quem anda de ônibus sabe por quê). “Quanto ao corpo, só se você for um trabalhador braçal. Alguém que fica de terno em um escritório na Paulista não precisa se preocupar.”

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Karina Faris

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