A versão do título é abreviada. O nome completo de Wolfe­schlegel­stein­hausen­berger­dorff­ etc. tinha 994 letras.

Estamos em 1º de setembro de 1952, e o jornalista Frank Brookhauser, do jornal Inquirer, recebe uma carta de um leitor indignado. No dia anterior, escrevendo um relatório sobre as eleições municipais da Filadélfia, ele havia cometido um erro ortográfico imperdoável: se esqueceu de uma letra no nome de Hubert Blaine Wolfeschlegelsteinhausenbergerdorff, Sr.


Vale a pena dar uma olhada na errata, que foi publicada e está disponível online até hoje no arquivo da Time. Wolfeschlegelsteinhausenbergerdorff em pessoa foi o autor da reclamação – é provável que ninguém além dele mesmo fosse capaz de encontrar o erro em seu nome.

Antes de continuar a história, uma pausa se faz necessária: a centopeia acima, usada para aplicações práticas – como jornais e listas telefônicas –, era só uma versão resumida. O nome completo do cidadão, um imigrante alemão naturalizado nos EUA no começo do século 20, é o seguinte:

Adolph Blaine Charles David Earl Frederick Gerald Hubert Irvin John Kenneth Lloyd Martin Nero Oliver Paul Quincy Randolph Sherman Thomas Uncas Victor William Xerxes Yancy Zeus Wolfe­schlegel­stein­hausen­berger­dorff­welche­vor­altern­waren­gewissen­haft­schafers­wessen­schafe­waren­wohl­gepflege­und­sorg­faltig­keit­be­schutzen­vor­an­greifen­durch­ihr­raub­gierig­feinde­welche­vor­altern­zwolf­hundert­tausend­jah­res­voran­die­er­scheinen­von­der­erste­erde­mensch­der­raum­schiff­genacht­mit­tung­stein­und­sieben­iridium­elek­trisch­motors­ge­brauch­licht­als­sein­ur­sprung­von­kraft­ge­start­sein­lange­fahrt­hin­zwischen­stern­artig­raum­auf­der­suchen­nach­bar­schaft­der­stern­welche­ge­habt­be­wohn­bar­planeten­kreise­drehen­sich­und­wo­hin­der­neue­rasse­von­ver­stand­ig­mensch­lich­keit­konnte­fort­pflanzen­und­sicher­freuen­an­lebens­lang­lich­freude­und­ru­he­mit­nicht­ein­furcht­vor­an­greifen­vor­anderer­intelligent­ge­schopfs­von­hin­zwischen­stern­art­ig­raum, Senior.

Não é piada. Os 26 primeiros nomes correspondem cada um a uma letra do alfabeto, e estão em ordem alfabética. O último é uma palavra alemã – sim, uma palavra, feita de várias palavrinhas. Em um artigo publicado no jornal The Free Lance-Star em 1964, o repórter fez o favor de perguntar ao dono o significado do catatau.

Nas palavras dele: “o nome conta a história de um caçador de lobos, residente de uma casa de pedra em um vilarejo, cujos ancestrais eram pastores dedicados cujas ovelhas eram bem alimentadas e protegidas contra ataques inimigos, e cujos ancestrais, 1,2 milhão de anos antes dos primeiros homens da Terra, em uma nave espacial feita com tungstênio e sete motores de irídio, usando a luz como fonte de energia, começaram uma longa jornada pelo espaço interestelar, procurando uma estrela no entorno da qual houvesse um planeta habitável onde eles poderiam estabelecer uma nova raça de homens inteligentes e onde eles viveriam vidas longas e felizes e estariam livres do ataque de outras inteligências do espaço aberto, de onde eles vieram.

Na mesma entrevista, Hubert B. Wolfe + 666, Sr. (essa é abreviação adotada pela Wikipedia) afirma que causou problemas em uma companhia de seguros. Ela usava um dos primeiros computadores comerciais da história, chamado IBM 7074, para processar as fichas de seus clientes, e a máquina travou quando o nome foi inserido.

Hubert B. Wolfe + 666, Sr. era um predestinado: se tornou tipógrafo. Reza a lenda que a família já carregava o nome há quatro gerações. O bisavô de Hubert, judeu alemão, o compôs especialmente para irritar o governo, que no século 19 aprovou uma lei obrigando todos os judeus residentes no país a adotarem nomes alemães (o problema alemão com os judeus era mais antigo que o nazismo). A história nunca foi confirmada.

Hubert B. Wolfe + 666, Sr. figurou no Guinness Book, o livro dos recordes, nas décadas de 1970 e 1980, e chegou a tirar uma foto na frente de uma placa com seu nome – que estava escrito errado. Batizou seu filho à sua imagem e semelhança (a única mudança é um “junior” no final), e morreu em 24 de outubro de 1997. A SUPER não sabe se já deu tempo de esculpir a lápide.


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Karina Faris

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