Com um porém: o conteúdo da "conversa" com o animal precisa ser relevante para ele. Não adianta tentar contar seu dia no trabalho

Você fala com o seu cachorro como se ele fosse um bebê? Bom, pode continuar. Um artigo científico publicado na semana passada revelou que os mascotes prestam mais atenção e gostam mais quando os seres humanos falam com a linguagem simplificada e a voz mais aguda que mães costumam usar para se dirigir aos seus filhos nos primeiros anos de vida.


Esse fenômeno linguístico, chamado por especialistas de “maternês”, é um mistério para a ciência. Especula-se que a mudança de vocabulário e tom de voz ao se dirigir a crianças muito novas ajude na aquisição de linguagem, além de fortalecer laços emocionais. Usar a mesma tática para “conversar” com animais de estimação é um hábito comum nos países ocidentais, mas ninguém sabia se ela realmente fazia efeito com mamíferos de quatro patas.

Para descobrir, foram feitos dois experimentos. 37 cachorros, 20 machos e 17 fêmeas, participaram do primeiro. Eles foram colocados em salas com seres humanos, que ora falaram conteúdo interessante para os cachorros (como “vamos passear?”) com voz de bebê, ora falaram conteúdo adulto (como “fui ao cinema”) com voz normal. Os cachorros se entusiasmaram muito mais no primeiro caso, sinal de que eles não só se interessam mais pelo “maternês” como também sabem quando o vocabulário usado diz respeito a eles. Quando os animais puderam escolher com qual dos interlocutores teriam contato físico, eles optaram consistentemente pelos falantes de voz aguda e fala emotiva.

No segundo experimento, com 16 machos e 16 fêmeas, rolou o oposto: os falantes de maternês passaram a dizer coisas desinteressantes para os animais, enquanto os participantes que falavam com voz normal, adulta, passaram a dizer coisas como “bom garoto” ou “frango assado”. Não deu em nada. Só o conteúdo relevante ou só a maneira de falar, sozinhos, não são suficientes para atrair a atenção dos animais – é preciso unir as duas coisas.

Alex Benjamin, psicólogo da Universidade de York, na Inglaterra, e coordenador do estudo, afirmou em comunicado: “quando nós misturamos os dois tipos de discurso e conteúdo, os cachorros não mostraram preferência por um falante ou por outro. Isso sugere que os cachorros precisam ouvir palavras relevantes com a voz adequada para se interessarem.”

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Karina Faris

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