Escândalo com a empresa de análise de dados Cambridge Analytica, que trabalhou na campanha presidencial de Donald Trump, fez a rede social perder milhões em valor de mercado — e colocou Mark Zuckerberg em maus lençóis

O Facebook experimentou uma queda histórica no valor de suas ações: em dois dias, a empresa perdeu quase US$ 50 milhões em valor de mercado. Foi convocada uma reunião de emergência com todos os funcionários, para que eles questionem a diretoria livremente e acalmem os ânimos. A rede social enfrenta uma crise pesada — e tudo graças a Donald Trump.



As informações foram coletadas através de um aplicativo chamado thisisyourdigitallife, que parecia uma brincadeira: o usuário fazia login com a conta e recebia um teste de personalidade. Em troca, bastava aceitar que seus dados (e dos seus amigos) fossem coletados para uso acadêmico. O aplicativo foi desenvolvido por Aleksandr Kogan, pesquisador da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

Com as informações, o time do Trump poderia entender, por exemplo, quem estava indeciso sobre as eleições — e encaminhar para essas pessoas notícias que falassem bem sobre o candidato ou que criticassem sua rival, Hillary Clinton. Os dados incluíam detalhes sobre profissão, local de moradia, gostos pessoais e hábitos. Os usuários do aplicativo não tinham ideia de que estavam ajudando a eleger o próximo presidente dos EUA.

A procuradora-geral de Massachusetts, Maura Healey, deu início a uma investigação formal sobre o caso. O Parlamento Britânico pediu a presença de Mark Zuckerberg para responder às acusações de manipulação eleitoral. A comissária europeia de Justiça, Vera Jourová, anunciou que solicitará esclarecimentos ao Facebook e já marcou uma reunião com o secretário de Comércio norte-americano, Wilbur Ross, para discutirem questões de proteção de dados. Zuckerberg terá que se explicar para muita gente. E rápido.

Para piorar a situação, o CEO da Cambridge Analytica, Alexander Nix, foi pego em gravação escondida falando sobre utilização de suborno, espionagem, identidades falsas e prostitutas para conseguir informações em campanhas políticas. Ele foi afastado do cargo na terça-feira.

Em nota assinada pelo vice-diretor do Facebook, Paul Grewal, a empresa declarou estar “comprometida com o cumprimento de suas políticas e a proteção de informações dos usuários”. Além disso, a Cambridge Analytica foi suspensa da plataforma.

Mark Zuckerberg demorou, mas se pronunciou publicamente e disse que a Cambridge se aproveitou de uma brecha que a plataforma tinha anos atrás, e que medidas para evitar que isso aconteça novamente já foram tomadas há muito tempo, em 2014. Ele anunciou que três providências serão estabelecidas nos próximos meses: primeiro, o Facebook vai investigar quais apps tinham acesso a informações pessoais de usuários antes da mudança de quatro anos atrás, e fazer auditoria nos que apresentarem atividades suspeitas; a empresa vai restringir ainda mais o acesso de desenvolvedores de aplicativos a dados de usuários; e, por último, uma ferramenta será disponibilizada em todos os perfis, para que você possa verificar facilmente quais apps estão conectados à sua conta.

É uma situação complicada e os profissionais envolvidos terão que suar muito se quiserem tornar o Facebook great again.

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Karina Faris

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