Em tempos de internet e muito textão no Facebook, os termos “feminismo”, “femismo” e “machismo” são facilmente encontrados em qualquer comentário que ultrapasse três linhas.

Em tempos de internet e muito textão no Facebook, os termos “feminismo”, “femismo” e “machismo” são facilmente encontrados em qualquer comentário que ultrapasse três linhas. Mas estariam essas expressões sendo usadas corretamente? Por uma sílaba “ni”, uma pessoa pode ter passado uma mensagem totalmente errada ou, pior, ter ofendido alguém na internet. A diferença gramatical é singela, mas os significados das duas palavras são discrepantes, então aqui está algo que esperançosamente clareará o caminho entre esse jogo de palavras e argumentos de redes sociais.


A palavra “femismo” é usada, porém o femismo, em si, não existe. Falando “femismo”, a pessoa se refere à ideia do misandrismo (ou seu sinônimo misandria). Ele, sim, é algo classificado e reconhecido. Com origem da palavra grega “misosandrosia”, significa ódio (misos) aos homens (andros). Dessa forma, é o repúdio patológico e marginalização do gênero masculino, com a crença da inferioridade dos homens e que as mulheres deveriam ser superiores aos mesmos. A misandria, sim, é o contrário do machismo, não o feminismo.

Entretanto, o misandrismo é socialmente associado ao feminismo radical hoje em dia. Na segunda onda do feminismo, nos anos 60, o feminismo radical surgiu como uma forma de extinguir a superioridade masculina de todas as formas, não somente em meios “formais”, como na política. Ele pedia a reestruturação da posição dos gêneros em quesitos econômicos e sociais, desafiando o que era estabelecido como algo “feminino” ou costumes “de mulher”. Como as discussões atuais de feminismo não repartem o que é de origem radical ou não, essa miscigenação acabou levando a essa ligação com o feminismo “genérico”. Contribuíram também para essa associação as pessoas que não apoiam o movimento e tentam fazer com que o feminismo pareça discurso de ódio.

O feminismo é o termo usado para descrever a luta econômica, política e social em prol da equidade entre homens e mulheres. “Equidade” e não “igualdade”, pois, quando se tem equidade, há o julgamento justo, considerando todos os lados e curvas, permitindo que cada um, do seu jeito, consiga chegar à mesma posição. Em outras palavras, o feminismo não quer que as mulheres sejam iguais aos homens, mas sim respeitadas e vistas com a mesma importância deles.

Assim, numa espécie de termômetro, o machismo e o femismo (ou seja, misandrismo) estariam em dois extremos, e o feminismo no meio, de uma forma mais apaziguadora. E, apesar de todos serem vertentes de pensamento, nenhum deles, além do feminismo, se concretizou num movimento. Os dois primeiros são tidos mais como comportamentos ou posicionamentos secundários, e não como uma onda ou ato revolucionário igual ao feminismo.

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Karina Faris

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