Na tradição cristã, ela foi a mãe do filho de Deus. Educou o jovem, sofreu com a perda e teve a honra de subir para os céus sem passar pela morte

O que foi: Mãe de Jesus
Onde viveu: Palestina
Quando nasceu e morreu: cerca de 18 A.C.- cerca de 40

As adolescentes israelitas do começo da era cristã casavam muito jovens. Maria teria perto dos 12 anos quando foi prometida a José, possivelmente também um garoto. Imagine o susto que ela teve ao saber que iria ficar grávida e que seu filho seria cria direta de Deus. Pois Maria aceitou a missão com boa vontade.


É difícil comprovar que ela tenha existido, mas Maria se tornou uma personagem emblemática. Ela é a figura central de santuários gigantescos, dedicados à Nossa Senhora de Guadalupe (México), Nossa Senhora da Conceição (Washington), Nossa Senhora de Todos os Povos (Japão), Nossa Senhora de Fátima (Portugal), Nossa Senhora de Lourdes (França). E, claro, Nossa Senhora Aparecida, no Brasil.

Centenas de pessoas relatam, desde o século 12, terem recebido aparições da mãe de Jesus, o que só prova o quanto ela está presente no imaginário ocidental. Tudo isso para uma figura da qual se sabe bem pouco.

OUTROS FILHOS
Os quatro Evangelhos apresentam Maria como uma moradora de Nazaré, no norte da antiga Palestina, hoje uma cidade de Israel de maioria muçulmana. Tem uma irmã, ou cunhada, também chamada Maria, e uma parente, talvez prima, Isabel, mãe de João Batista.

Depois do nascimento de Cristo, dá à luz outros quatro filhos homens (Tiago, José, Judas e Simão) e um número não detalhado de filhas mulheres. Se perde de Jesus quando ele é adolescente e fica sozinho no templo de Jerusalém.

Insiste para que ele realize seu primeiro milagre, a transformação de água em vinho durante uma festa de casamento. Presencia a morte de Cristo, assim como o momento em que ele sobe aos céus. Depois Maria desaparece da Bíblia.

Relatos posteriores preenchem várias lacunas. Seus pais, por exemplo, se chamariam Ana e Joaquim. E Maria teria sofrido com a personalidade de Jesus – de acordo com os Evangelhos apócrifos, que não foram incluídos na Bíblia, ele teria matado um coleguinha que esbarrou em seu ombro. Também deixava cegas as pessoas que corriam até seus pais para reclamar dele. Nesses casos, Maria dava broncas no menino.

DIRETO PARA O CÉU
São também posteriores os relatos de que Maria teria subido aos céus em carne e osso. Seria a única pessoa da humanidade a não sofrer a morte. Isso teria acontecido 13 anos depois da crucificação de Jesus.

Considerando-se que Cristo nasceu por volta de 6 a.C. (isso mesmo, o ano zero foi calculado depois, e incorretamente), Maria teria vindo ao mundo 12 anos antes, por volta de 18 a.C. Seu filho teria morrido no ano 27, com 33 anos. E a mãe deixou este mundo mais ou menos no ano 40. Teria, portanto, 58 anos dedicados a cuidar pessoalmente da vida e do legado do filho querido do Criador.

Dica de livro – As melhores fontes sobre Maria são o Alcorão e os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João

ACERTOS
Teve fé – Ela era muito nova quando recebeu a notícia de que teria grande responsabilidade. Ainda assim confiou no anjo enviado por Javé
Suportou muita dor – Ver o filho ser condenado injustamente, açoitado, humilhado com uma coroa de espinhos e pregado a uma cruz é um sofrimento inimaginável
Foi uma líder – A Bíblia indica que Maria assumiu João, um dos apóstolos, como filho. E que participou dos primeiros anos do cristianismo

FRACASSOS
Perdeu o filho – Jesus foi a Jerusalém com 12 anos. Na volta, Maria seguiu com as mulheres. José, com os homens. E o garoto fico para trás. Assim como o pai, a mãe também falhou no episódio, ainda que Jesus tivesse sido bem cuidado pelos religiosos da cidade
Brigou com Jesus – Existem na Bíblia sinais de que Cristo rejeitou a mãe e os irmãos e foi perseguido pela família. Jesus chegou a dizer uma frase famosa, quando ela levou os outros filhos para conversar com ele: “Quem são minha mãe e meus imãos?” Sinal de que não se entendia bem com Maria
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Karina Faris

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