Pela primeira fez, foram encontrados vestígios de povos que viveram longe dos principais rios amazônicos. São fortificações, cerâmicas e até estruturas que só podem ser vistas do céu

Boa parte da Amazônia ainda é um mistério para os arqueólogos. Por muitos anos, reinou a crença de que a floresta não havia abrigado grandes civilizações antes da chegada dos europeus – como houve no Peru com os Incas; ou no México com os Maias. Acreditava-se, também, que os antigos povos pré-colombianos da região ficavam restritos apenas nas áreas próximas aos principais rios . Estavam errados. Agora, arqueólogos da Universidade de Exeter encontraram evidências de que civilizações com até 1 milhão de habitantes, divididos em diferentes comunidades, viviam no sul da Amazônia, longe dos principais rios, antes da chegada dos portugueses.


Os sítios se encontram na bacia do Alto Tapajós, noroeste do Mato Grosso. Brasileiros da Universidade Federal do Pará (UFPA), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade do Estado de Mato Grosso (UEMT) também participaram das pesquisas.

A descoberta foi possível graças a imagens de satélites que identificaram 81 novos sítios arqueológicos na região. Em seguida, foi realizada uma expedição que encontrou cerâmicas, ferramentas e vestígios de dejetos. Além disso, foram encontrados geoglifos – valas escavadas na terra, que formam desenhos que só podem ser vistos do alto. A teoria é que essas instalações servissem como cenário de rituais.

Parte das aldeias identificas estão cercadas por valas ou fossos com profundidade entre 1m e 3m , possivelmente para evitar ataques de tribos rivais e animais. Também foram encontrados vestígios da chamada “terra preta de índio”, um tipo de solo gerado por meio da ação humana, como a queima controlada de madeira e o manejo de restos de animais. A terra preta é mais fértil do que a maioria dos solos naturais amazônicos e é comumente usado para cultivo de plantas.

O fato de existirem vestígios de aldeias fortificadas, terraplanagem e plantações por lá desmente a noção que nós tínhamos de que a floresta tropical era praticamente intocada pela agricultura. Como os índios venceram uma mata tão densa, é difícil dizer. Uma das possibilidades é que o clima com períodos secos da região pode ter facilitado a derrubada de parte das matas, além da terraplanagem.

As dimensões dos sítios arqueológicos variam entre 30 e 400 metros de diâmetro. Estimam que essas sociedades viveram por volta de 1250 dC e 1500 dC. Ainda falta muito o que descobrir, mas, gradualmente, estamos juntando mais informações sobre a história da maior floresta tropical do planeta.

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Karina Faris

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