O astro fica tão pertinho do seu Sol que um ano, por lá, dura menos de dois dias. Mesmo assim, ele é capaz de engolir boa parte da radiação que o alcança

Astrônomos da Universidade Keele, no Reino Unido, descobriram um exoplaneta (isto é, um planeta de fora do Sistema Solar) parecido com Júpiter que absorve algo entre 95% e 97% da luz que incide sobre ele. Em outras palavras, o astro é mais escuro que carvão – e está no páreo para ser declarado o planeta mais darkjá encontrado no céu.


WASP-104b, como foi batizado, é considerado um “Júpiter quente”: um tipo de gigante gasoso cuja órbita fica muito, muito próxima da estrela que o hospeda. Uma comparação vem bem a calhar para dar essa explicação. Mercúrio (que, só para lembrar, é muito menor que Júpiter), fica a apenas 57,9 milhões de quilômetros do Sol. Para os padrões cósmicos, isso é tão perto que a temperatura na superfície do planeta, durante o dia, alcança 427° C – e um ano, por lá, dura meros 88 dias.

Mesmo assim, ele fica a uma distância segura de sua estrela se comparado a WASP-104b. Ao que tudo indica, um ano dura aproximadamente 42 horas por lá. Sim, menos de dois dias. O gigante gasoso fica 13 vezes mais perto de sua estrela do que Mercúrio fica do Sol, a apenas 4,3 milhões de quilômetros. E o pior de tudo: assim como ocorre com a Lua em relação à Terra, o planeta tem um lado claro, que está sempre virado para a estrela, e um lado escuro, em que sempre é noite.

Agora você deve estar se perguntando: como é que pode um planeta que está tão perto de sua estrela não refletir luz quase nenhuma? Bem, acontece que a quantidade de luz que é refletida por um planeta não tem nada a ver com a quantidade de luz que o atinge. Há algumas superfícies que são notavelmente boas em refletir luz, como nuvens ou gelo. Mas o lado dia de WASP-104b é tão quente que impede a formação de qualquer um dos dois, e o lado frio, onde elas poderiam em tese existir, não recebe luz nenhuma.

Uma coisa que a atmosfera nebulosa e densa de WASP-104 provavelmente tem para dar e vender é sódio e potássio em sua forma pura – e os dois metais alcalinos são ótimos em capturar luz no espectro visível. Isso é mais regra do que exceção: todos os planetas grandes e gasosos que ficam perto demais de suas estrelas têm uma certa tendência emo, e absorvem pelo menos uns 40% da luz que incide sobre eles. Só calhou do recém-descoberto ser um recordista.

É bom lembrar que o fato de que o novo exoplaneta estar no top ten de escuridão do cosmos não quer dizer que ele é mais difícil de encontrar que outros exoplanetas, mais reflexivos. Da distância a que ele está de nós – 464 anos-luz na direção da constelação de Leão –, seria impossível observar diretamente qualquer planeta que seja, grande ou pequeno, brilhante ou opaco.

Esses astros são identificados de formas indiretas: uma é a sombra que eles fazem quando passam na frente de suas estrelas, outra é a sua influência gravitacional sobre a trajetória delas (de maneira exagerada, o fenômeno que você vê no GIF abaixo, em que os dois corpos orbitam um centro de massa comum). Nenhum dos métodos depende da luz refletida pelo planeta. É claro que observações indiretas tornam a tarefa de determinar as características do astro muito mais difícil. Mas elas são suficientes para cravar: temos um fã de heavy metal na área.

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Karina Faris

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