Nos planos mais caros, um passeio pelo Velho Oeste robótico poderia custar uma fortuna

Michael Crichton tinha uma quedinha por parques de diversões. Em 1990, o americano publicou seu oitavo livro, uma história onde um bando de ricaços resolvia brincar com a tecnologia para criar as atrações mais fantásticas da história: era Jurassic Park. Steven Spielberg leu e se apaixonou, e em três anos fez o filme homônimo que levou três Oscars e arrecadou mais de US$ 1 bilhão ao redor do mundo.


Só que essa não era a primeira incursão de Crichton a histórias do tipo. Vinte anos antes, em 1972, ele roteirizou e dirigiu um longa sobre, repare bem, um grupo de ricaços que resolvia brincar com a tecnologia para criar as atrações mais fantásticas da história. Só que não era sobre dinossauros. Era sobre robôs. O longa chama-se Westworld. Em 2016, a história sobre uma terra onde você pode brincar com máquinas em uma simulação do Velho Oeste virou uma série da HBO que acaba de estrear a 2ª temporada. O próprio seriado deixa muito claro que o jogo é um luxo só pra quem tem muita grana – mas afinal de quanto dinheiro estamos falando?

Para brincar de bang bang com Rodrigo Santoro, você teria que investir, de fato, muito dinheiro. No 5º episódio da 1ª temporada, Logan, personagem de Ben Barnes, chega a comentar um pouco sobre as cifras. O rapaz, em um momento de desabafo com seu cunhado William (interpretado por James Simpson) reclama que está gastando US$ 40 mil por dia para pode ficar no parque. O que ele não diz na série é que essa é a taxa mínima para participar da brincadeira.

Assim como uma operadora de celular, Westworld, em teoria, tem diferentes pacotes de atrações. Os US$ 40 mil diários de Logan equivalem ao plano básico. Enquanto a primeira temporada da série era exibida, a HBO transformou o site oficial da série em um simulador do sistema de reservas do parque. Na funcionalidade, desativada desde 2017, era possível também ver os planos para quem podia gastar ainda mais.

Enquanto o plano básico dava acesso a, além de comida e bebida à vontade, uma consultoria para ajudar na escolha das suas roupas e armas; quem tivesse bala para pagar US$ 75 mil/dia poderia “participar de tramas mais profundas, em menos tempo”. Este pacote prata te daria “os recursos necessários para encontrar essas missões”, de acordo com o anúncio. A ostentação máxima acontecia para quem adquiria o pacote ouro, que ainda permitiria ”acesso a caminhos secretos que levam diretamente às margens externas do parque” por nada modestos US$ 200 mil ao dia.

Tem um detalhe: não existe bate-volta em Westworld. De acordo com o site , os turistas não podiam agendar viagens com menos de uma semana de duração. Na prática, os custos variam entre US$ 280 mil (no pacote básico) e US$ 1,4 milhão (no ouro). Um limite máximo também era imposto. Ninguém podia ficar mais do que 28 dias na atração. No plano mais caro, então, a estadia limite custaria US$ 5,6 milhões (cerca de R$ 19 milhões atuais).

O mundo da HBO se mostrou bem mais caro que o do filme de 1973. No longa, a estadia no parque saía por US$ 1 mil por dia. Se corrigirmos os valores da década de 1970, o ingresso, ainda sim, sairia por cerca de US$ 5 mil.

O site simulador ainda detalha outros custos. Para o turista poder contar com seu concierge, por exemplo, teria que desembolsar US$ 15 mil; o seguro básico custaria US$ 22 mil e a taxa de conveniência, pelo menos, US$ 5 mil.

E toda essa grana vale o investimento? Bom, depende. Apesar da diversão eminente, a Delos (empresa fictícia por trás do parque) deixa bem claro que se você quer participar da brincadeira, que faça isso por sua própria conta e risco. O site afirma que pelo menos 11 pessoas morreram dentro do parque por motivos como pisoteamento por búfalos, autoasfixia erótica, queimaduras de 3º grau, quedas, afogamento, e até canibalismo. Vale o depósito?

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Karina Faris

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