A variedade era palavra-chave nas baladas, agitadas pelas músicas da Beyoncé

De Tudo, um Pouco
Na virada do milênio, a vida noturna podia ser definida com uma palavra: variedade. Havia desde casas especializadas em atender um tipo de público (black music, samba, indie, rock, pop, retrô anos 90, anos 80…) até superbaladas que preferiam abrigar todos esses gêneros ao mesmo tempo, em diferentes ambientes. Eram verdadeiros “complexos de entretenimento”, com pistas de dança, bares, restaurantes e diversão para todos os gostos. Algumas de suas características, porém, também apareciam nas casas mais simples.


Pista pra quê?
A diversão continuava no restaurante, no fumódromo e até nas redes sociais

Seja bem-vindo
Nesta época emerge outra “celebridade” da noite: a hostess (“anfitriã”, em inglês). São mulheres (geralmente, muito gatas) que recebem o público na porta, controlando a entrada e gerenciando as listas vip ou de desconto. Se o processo demorar, ótimo: filas enormes eram provocadas de propósito para dar a impressão de que o lugar estava bombando.

O básico que sai caro
O público se vestia de acordo com o estilo da casa. Nas “superbaladas”, que costumavam ser mais caras, reinavam grifes como Diesel, de calças jeans. Mas os looks eram básicos: rapazes com camiseta ou camisa e cabelos cuidadosamente dasarrumados; meninas de salto alto, vestido e cabelos lisos (viva a chapinha!). Às vezes, optavam por um visual mais roqueiro ou praiano.

Múltipla escolha
As superbaladas pareciam um shopping, todo setorizado. Não gosta do bate-estaca eletrônico que está tocando? Tudo bem: logo no ambiente ao lado rola um axé. Ou funk. Ou hits das rádios. Bateu aquela fome? Corra para o restaurante. Quer um papo mais sossegado? Leve a menina ou o cara para um dos bares. A culinária variava: tinha italiana, japonesa e até indiana.

Onde há fumaça…
A “bala” (ecstasy) e o “doce” (LSD) continuaram sendo o combustível para as noitadas. Mas também surgiram outras drogas, como o special k (gíria para a cetamina, um tranquilizante usado em cavalos). Esse pó é misturado à bebida, ao fumo ou inalado. Por outro lado, no fim da década, algumas cidades fecharam o cerco contra o cigarro, proibindo-o em locais fechados.

Beber para se mostrar
A popular caipirinha (cachaça, limão, açúcar e gelo) ganhou variantes com frutas exóticas, como lichia e lima-da-pérsia, ou com outros destilados, como vodca e saquê. Em algumas casas, quem queria se exibir podia pedir caras garrafas de champanhe, entregues com procissão de garçonetes e faíscas, chamando a atenção da galera.

Todos somos paparazzi
A popularização das câmeras digitais transformou qualquer um em fotógrafo e “celebridade” em potencial. No dia seguinte, tudo ia parar no Orkut ou no Fotolog, as redes sociais da época. Mostrar à galera como sua noite tinha sido “in-crí-vel” ficou ainda mais fácil e instantâneo no fim da década, quando a internet no celular finalmente “pegou”.

Curiosidades
Além da tradicional pickup, onde se alternavam CDs ou vinis, alguns DJs passaram a tocar arquivos de música direto do laptop.

O boom da internet ampliou o uso das “listas vip”, nas quais você se inscreve via e-mail para receber descontos.

O uso do celular causou a popularização das mensagens e ligações para convidar a turma, passar uma cantada ou fofocar.

TOP 5 DAS PISTAS
O que bombava na época
“Crazy in love”, Beyoncé
“SexyBack”, Justin Timberlake
“Can’t Get You Out of My Head”, Kylie Minogue
“Hey Ya!”, OutKast

“Seven Nation Army”, White Stripes

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Karina Faris

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