Prazer, hábito, objetivos: tomamos decisões por diferentes causas, e seus efeitos nem sempre são positivos

Mesmo sabendo que algo pode não ser bom, a gente vai lá e faz. Prazeres momentâneos regem nossa vida muito mais que imaginamos, e isso gera diversas decisões erradas. Problemas causados pela nossa (in)capacidade de lidar com a busca pelo prazer estão, até mesmo, na raiz de distúrbios neuropsiquiátricos, como o vício e a depressão. Mas calma, esse mal tem solução e um artigo da Universidade de Queensland, na Austrália, ajuda a explicar porque tendemos a tomar essas decisões.


Por prazer
Quando fazemos escolhas, elas são motivadas geralmente por prazer, hábitos ou objetivos. E é fato: as relacionadas ao prazer são as com maior chance de dar errado. E há razões científicas para isso. O prazer em si — aquela sensação boa sentida quando se come um brigadeiro, por exemplo — é gerado pela ação de diversos mensageiros químicos, os neurotransmissores, no cérebro. Um dos mais importantes se chama dopamina, que está ligado a funções como movimento voluntário e cognição, mas sua liberação no sistema de recompensa do cérebro é basicamente o que gera o prazer.

Os níveis de dopamina indicam quando esperar algo recompensador, medem quão gratificador algo é e nos leva a procurar cada vez mais coisas que tragam recompensas. A dopamina é tão essencial para o bem estar que sua falta está associada à depressão e à falta de motivação. Mas seu excesso também prejudica: distúrbios como a esquizofrenia possuem liberações excessivas do neurotransmissor, influenciando nos sintomas psicóticos.

No entanto, apesar de todos sermos dependentes da dopamina, sabemos que nem todo mundo sente prazer pelas mesmas coisas. O gosto musical é um bom exemplo:, ele é moldado puramente pela educação, sem qualquer fator biológico — algumas pessoas liberam muita dopamina ouvindo Mozart, outras sentem o mesmo prazer com Anitta.

Ok, mas o que isso tem a ver com decisões erradas? Bem, tudo. A sensação boa que a dopamina causa é tão desejada que buscamos o prazer a todo momento — e isso, por si só, já é o bastante para tomarmos várias decisões bobas.

Por objetivos
Apesar disso tudo, conseguimos, às vezes, controlar o desejo pelo prazer e pensar em objetivos. Por exemplo: a maioria de nós, provavelmente, gostaria de tomar sorvete depois do almoço todos os dias (o açúcar gera a liberação de muita dopamina no cérebro). Então por que não tomamos? Nosso cérebro aprendeu que isso, a longo prazo, vai nos prejudicar — ganho de peso, aumento do colesterol… — e que nos sentiremos mal com as consequências. Daí surge o controle.

Os processos cognitivos por trás do comportamento direcionado a um objetivo envolvem a determinação do valor dos resultados (o quão importante eles são) e a formação de estratégias que maximizem nossa capacidade de alcançar o resultado mais valioso. Se tomarmos uma decisão uma vez e os resultados forem bons, vamos tomá-la mais vezes, e essa decisão se tornará menos direta e mais habitual.

Mas isso não impede decisões erradas. O resultado que alcançamos nem sempre é positivo, e, nesse caso, aprendemos com o tempo e com a experiência qual resultado fornece a melhor recompensa. Assim, conseguimos orientar nossas decisões em relação a esse final.

Algo preocupante é que ter problemas na tomada de decisões pode gerar doenças, como o vício. Quando o prazer por algo tóxico se torna grave, alcançar o resultado em questão se torna bem menos sobre a liberação de dopamina e mais sobre um impulso do subconsciente. Por isso que frases como “basta parar de usar” são inúteis.

De uma forma ou de outra, tomar decisões está relacionado a ter auto controle e treinar o cérebro, baseado em experiências, para melhorar sua capacidade de escolhas — e não se abater quando algo der errado.

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Karina Faris

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